Os jovens e o álcool

Por Ana Revés em

Em Portugal, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos. Contudo, esta regra nem sempre é cumprida por todos os estabelecimentos, e depois, há sempre aquele amigo maior de idade que pode comprar bebida para todos.

O consumo de álcool na adolescência é atualmente considerado um problema de saúde pública. As transformações físicas, emocionais e sociais que ocorrem nesta idade fazem com que seja uma etapa de risco para o início de consumo de álcool e para o seu uso de forma perigosa.

O ganho crescente de autonomia e aquisição de novos papéis na sociedade associados à impulsividade e experimentação, típicos da adolescência, propiciam consumos desajustados e até arriscados.

Alguns estudos estatísticos sobre o consumo de álcool entre jovens e adolescentes portugueses mostram que o álcool continua a ser a droga mais consumida nesta faixa etária, sendo que é mais consumido em saídas noturnas e aos fins-de-semana.

No entanto, existem 3 motivos principais que, normalmente, levam ao consumo de álcool entre jovens:

1. Querem ser aceites pelo grupo: nesta fase de busca de identidade, o jovem sente necessidade de aprovação, de ser aceite pelo seu grupo. Para muitos adolescentes o álcool é um sinal de maturidade.

2. Querem sentir os efeitos do álcool: os efeitos que a bebida traz, por momentos, podem ser relaxantes para alguns. Com este efeito, faz com que se sintam mais seguros, mais à vontade e mais sociáveis.

3. Querem beber para esquecer: nesta fase, é comum que alguns jovens apresentem problemas de autoestima e de frustração. Por ser uma idade cheia de complexos e fragilidades, o temperamento deles pode ser mais agressivo e não recebem tantos elogios quanto gostariam. Más notas na escola, desgosto de amor, poderão ser alguns dos problemas que os fazem buscar o refúgio na bebida, acreditando que o estado de “anestesia” e de “descontração” temporários, os poderá ajudar a se distraírem das dores e das dificuldades que sentem no momento.

Contudo, o consumo de álcool está associado a vários comportamentos de risco, nomeadamente, o aumento da probabilidade de envolvimento em acidentes, comportamentos violentos e desajustados, comportamentos sexuais de risco e dependência fisiológica.

O impacto do consumo de álcool por adolescentes está também associado ao baixo desempenho escolar, dificuldades de aprendizagem, danos no desenvolvimento e na estruturação das habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais, podendo provocar danos na memória, aprendizagem e controlo dos impulsos. Verifica-se assim que o consumo de álcool, a longo prazo, poderá aumentar o risco de doenças gastrointestinais, cardiovasculares e tumorais.

Assim sendo, é fundamental que todos nós, enquanto pais, educadores, médicos, enfermeiros, e sociedade em geral, estejamos de alerta com esta problemática.

Para quem passa muito tempo com um adolescente, é importante que repare nos seus comportamentos e se houve alteração dos mesmos. Manter uma relação de confiança, que lhe permita abordar este assunto e os riscos a ele associados, poderá ser fundamental na prevenção deste problema.