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Por Nicole Palma em

Letras feias, de tamanhos diferentes, grafismo irregular e trémulo, realização inversa dos traçados de algumas letras/números e desorganização geral na folha…São alguns sinais que indicam que a criança apresenta dificuldades na escrita. Muitas vezes, estas dificuldades surgem associadas a problemas na organização visuoespacial. Se a sua criança tem dificuldade em perceber as relações espaciais, isso pode afetar as suas capacidades motoras, resolução de problemas, atividades da vida diária e o seu desempenho geral na escola, como a aprendizagem da leitura e da escrita.

A escrita manual é uma atividade complexa e depende intimamente do desenvolvimento e maturação de várias competências, entre elas a organização visuoespacial. A criança ao ter dificuldade na perceção e organização do espaço, poderá apresentar uma pobre organização da escrita na folha ou ver de forma inconsistente o espaço entre as letras e palavras, o que pode levar a que se a sua letra seja pouco percetível e interferir no processo de aprendizagem.

A organização visuoespacial é a capacidade de relacionar, no espaço, dois ou mais objetos em relação uns aos outros e em relação a nós próprios. Pode estar relacionada com a perceção da posição no espaço, ou seja, a capacidade de perceber a posição do objeto, de acordo com um referencial cima/baixo, frente/trás ou direita/esquerda, por exemplo distinguir o “b” do “d” ou o “p” do “q”. Outro dos componentes envolvido é a perceção das relações espaciais, isto é, a capacidade de perceber a orientação dos objetos ou símbolos uns em relação aos outros, por exemplo a orientação dos traçados para reproduzir letras.

Determinar relações espaciais é importante nas tarefas diárias, na escola e em casa. Utilizamos conceitos espaciais em muitas das atividades que desempenhamos ao longo do dia, por essa razão necessitamos de saber interpretar o seu significado. Por exemplo, “ficar em primeiro numa fila”, “sentar atrás da Diana”, “colocar o copo em cima da mesa” ou distinguir a letra “b” da letra “d”, que na verdade são formas iguais, mas diferentes na sua organização no espaço (“b” está virado para a direita e “d” para a esquerda). Estes são exemplos práticos, de como estas competências contribuem com a informação sobre a forma, tamanho, posição e distância dos objetos e do meio em relação uns aos outros e em relação ao observador.

Para consolidar alguns aspetos da organização visuoespacial é importante aproveitar os momentos do quotidiano, que se caracterizam como excelentes oportunidades para incentivar a criança a explorar e desenvolver estas competências, de uma forma divertida e descontraída.

Desta forma, proponho-lhe uma sugestão de atividade, recorrendo a uma situação do dia-a-dia – Deslocações/Viagens de Carro. Vamos transformar uma atividade da rotina diária, numa atividade desafiante e criativa para a sua criança. Faça desta atividade um momento prazeroso, em que para além de deslocar-se de um local para outro, está a proporcionar uma atividade em família. Uma viagem de carro, pode ser muito mais do que isso…

Antes iniciar a viagem de carro, enumere as tarefas que pretende que a criança realize para que possa estar preparada. Defina também os momentos em que as tarefas são supostas ocorrer (durante o percurso no carro ou em casa).

Se possível, disponibilize o gravador do telemóvel à sua criança para que possa relatar alguns pormenores da viagem que considere importantes para posteriormente, realizar as tarefas em casa.