Como promover a Saúde Emocional dos seus filhos

Por APEXA em

A saúde emocional da criança é construída a partir do momento em que esta nasce, através das interações que estabelece com as pessoas que a rodeiam.  A vinculação é o aspeto mais importante a ter em conta nos primeiros anos de vida. Está comprovado que as crianças que não estabelecem vínculos seguros nos primeiros 3 anos de vida têm um risco maior de desenvolverem problemas mentais, do comportamento e da aprendizagem. Deste modo, o ambiente familiar e as relações que se preconizam neste período são de vital importância para o desenvolvimento integral da criança.
A criança é emocionalmente mais equilibrada quando mais rico for o ambiente em que se insere e quanto mais forte forem os vínculos que cria. Vejamos, uma criança que cresce num ambiente hostil, negligente ou apático sendo repreendida ou ignorada constantemente tenderá a desenvolver um sentimento de inferioridade, vergonha e desvalorização, contudo uma criança que cresce num ambiente de amor, compreensão e de confiança tenderá a desenvolver sentimentos de valorizarão, autonomia e autorresponsabilidade pelos seus comportamentos.

São muitos e diversos os comportamentos que a criança pode demostrar como sinais de que a sua saúde emocional não se encontra bem e de que precisa de ajuda.
Os pais são fundamentais para a leitura destes sintomas, sendo agentes ativos e imprescindíveis na forma como a criança aprende a lidar com as suas frustrações, experiências e desafios.

Desenvolver a Saúde Emocional através da Inteligência Emocional

A Inteligência emocional é um conceito que tem sido muito falado nas últimas décadas e que foi originalmente trazido por Daniel Goleman (1990), demonstrando que para o ser humano tão importante como o Quociente de Inteligência (capacidade em compreender, manipular e processar informação) é o Quociente Emocional, que envolve competências de autoconhecimento, adaptabilidade, empatia e relação.
Quando quer promover a saúde emocional dos seus filhos deve recordar-se que terá de desenvolver a sua Inteligência Emocional (QE), constituída por 5 pilares:

Da mesma forma que estimula o seu filho para aprendizagem cognitiva deve estimula-lo para uma aprendizagem emocional: aprender a relacionar-se consigo mesmo para depois se relacionar com o outro.

Estratégias para desenvolver a Inteligência Emocional dos seus filhos

1. Pais, devem cuidar primeiro da vossa saúde mental: já deve ter ouvido falar que ‘Pais felizes criam filhos felizes’, e este é o caminho. O equilíbrio gera equilíbrio e este revela a calma necessária para lidar com os contratempos. Os pais devem escutar-se, cuidarem das suas necessidades internas para poderem responder assertivamente às necessidades das suas crianças.

2. Valide os sentimentos do seu filho (e as suas!): mantenha uma escuta ativa sobre os sentimentos do seu filho. Ensine-o a nomear as suas emoções e a compreender a sua função. Fale também dos seus medos, alegrias, tristezas e conquistas. É o melhor modelo para o seu filho, quanto melhor souber falar das suas emoções melhor eles saberão falar das deles.

3. Incentive formas de auto-expressão: há crianças que gostam de comunicar verbalmente e outras que preferem comunicar através da arte… descubra com o seu filho formas de auto-expressão: dança, pintura, desporto, música, escrita, teatro. Esta descoberta facilitará a expressão de sentimentos e de autocontrolo nos momentos mais difíceis. Se não descobrirem nenhuma ‘arte’, brinque! Chame a criança interior que vive dentro de si e brinque com o seu filho. A brincadeira é a forma mais sublime e primária de exteriorização das emoções.

4. Comunique positiva e conscientemente: a comunicação é um dos pilares da relação humana. Quanto melhor for a qualidade desta comunicação melhor será a relação estabelecida. Se pretende que os seus filhos comuniquem abertamente consigo, deverá investir numa comunicação que respeite o valor, opinião e os limites de cada um. Se ouvir o seu filho antes de o julgar e aceitar que ele também tem direito a pensar e a sentir sobre as ‘coisas que lhe acontecem’ está a empatizar com ele. E a empatia é um dos pilares da inteligência emocional.

5. Dê-lhes uma boa dose de desafios: sem desafios não há adversidade. Sem adversidade não há resiliência. Uma criança emocionalmente saudável não é aquela que não se irrita, frustra ou chora, mas aquela que vai melhorando a sua capacidade de lidar com os sentimentos que resultam de uma frustração nem que para isso por vezes tenha de chorar ou se irritar. Dê autonomia diária aos seus filhos e responsabilize-os pelas suas escolhas. Mostre-lhe que para eles serem felizes terão de resolver problemas e resolver problemas é tomar decisões que envolvem muitas vezes algum tipo de perda. Mas faça sempre parte do processo de superação dos seus filhos. Pense e sinta com eles e encoraje-os a seguir em frente.

No mundo atual, não basta ser inteligente, esperto e preparado para competir. É preciso ter calma e empatia e persistir diante das frustrações para conseguir viver bem no amor, ser feliz com a família e vencer no mercado de trabalho. 

Daniel Goleman

Até breve,
Marisela Agra
Psicóloga Clínica


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