Bullying: E se o meu filho for o agressor?

Por Ana Revés em

Nas passadas semanas temos vindo a abordar temas relacionados com violência, seja ela física ou psicológica, como o ciberbullying e o bullying e como se pode intervir com os filhos, caso sejam vítimas desta situação. Mas e quando são os filhos os agressores? Como devem os pais agir perante esta situação?

Esta é uma realidade que por vezes, é muito difícil de aceitar pelos pais. Nenhum pai quer que o filho trate mal os seus colegas e por isso, para eles, pode tornar-se difícil de acreditar como é que o filho que educaram com tantos valores, e que em casa até é obediente é capaz de ter comportamentos incorretos com outras crianças? Como se lida com o facto de o filho ser um bullie?

Bullie é a denominação dos agressores que exercem bullying. Ou seja, que praticam todo o tipo de violência sobre os colegas e que são vistos como os fortes, os valentões, que são temidos por uns e admirados por outros.

Em primeiro lugar, é necessário estar atento(a) ao comportamento do seu filho, pois existem algumas caraterísticas que podem passar despercebidas, considerando que é um comportamento natural da criança:

  • É demasiado competitivo e quer ganhar a todo o custo;
  • Não respeita as regras;
  • Demonstra dificuldade em lidar de forma correta com desafios ou problemas;
  • Mente várias vezes;
  • Nunca assume a culpa do que fez. Os outros são sempre os culpados;
  • É uma criança facilmente irritável e explosiva;
  • Reage com agressividade a várias situações;
  • Os amigos da escola seguem os mesmos padrões de mau comportamento;
  • Desafia constantemente as figuras de autoridade, seja em casa ou na escola;
  • Tem problemas de comportamento na escola;
  • Acha que manda em tudo e em todos;
  • Intimida com regularidade os irmãos ou crianças mais novas com quem convive;
  • Mostra-se carente;
  • Recusa falar da escola.

Se confirmar que o seu filho está nesta situação, o primeiro passo será a aceitação, para depois conseguir a resolução do problema. Ao negar ou a desvalorizar a situação não está a ajudar, mas sim a encobrir uma situação problemática que pode trazer várias consequências no desenvolvimento das crianças.

Será importante perceber que os bullies também são vítimas, mas muitas vezes, de si próprios e por vezes, também dos contextos. Se reparar, acha que uma criança feliz, com uma autoestima forte e confiante das suas capacidades, tem a necessidade de rebaixar os colegas?  

Isto não quer dizer que os pais estejam a fazer um mau trabalho, e por isso, também é importante que não se sintam culpados. A pressão que a escola por vezes coloca, a vontade de se mostrar bom o suficiente e o querer ser admirado pelos outros, podem ser algumas das razões por detrás deste comportamento. As crianças, tal como os adultos, são pessoas com problemas, qualidades e defeitos. No entanto, as suas capacidades de controlo das emoções e da resolução de conflitos ainda são muito fracas.

Assim sendo, o primeiro passo é reforçar o amor que lhe tem, explicar-lhe que não precisa de inferiorizar os outros para que lhe reconheçam valor. Depois, tentem conversar com os pais da vítima para que possam resolver o conflito da melhor forma. Incentive o seu filho a assumir a responsabilidade e incentive-o a corrigir os comportamentos menos positivos.

Embora não seja fácil, é sempre possível ajudá-lo a lidar com os seus sentimentos e a alterar o seu comportamento. O bullying é um comportamento aprendido e por isso, pode ser alterado.


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