Será que existe mimo a mais?

Por Ana Revés em

Hoje em dia, já é possível ouvirmos falar bastante da palavra “afeto” ou da palavra “mimo” como algo muito bom relacionado com o bem-estar das crianças. No entanto, nem sempre foi assim. No tempo dos nossos pais e avós, as manifestações de afeto e carinho nem sempre aconteciam em todas as famílias.

Os primeiros anos de vida, são os mais importantes para o desenvolvimento cerebral e para a formação das competências humanas de uma criança. Como tal, também o seu padrão emocional se forma, em consequência dos modelos aprendidos através dos pais. A demonstração de afetos contribui para um maior vínculo afetivo, essencial ao desenvolvimento cognitivo e relacional. No entanto, os pais nem sempre reconhecem a importância que os afetos têm e as suas consequências para uma criança. Para alguns pais, mães ou para outros cuidadores, transmitir afetos é uma tarefa difícil. Para alguns porque não receberam, para outros porque os fecharam dentro deles por sobrevivência durante o seu crescimento e agora mostram que não o sabem fazer.

Por isso, hoje vamos falar da importância dos afetos.

E o que é o afeto?

O afeto é um sentimento de amizade, carinho e afeição. Quando pensamos em afeto, pensamos em cuidado, aceitação, acolhimento e mimo. A parte afetiva é muito importante, pois influencia o desenvolvimento da criança e a sua autoestima. Para a criança, os pais são como um espelho, que lhe devolvem determinadas imagens.
Por exemplo: quando um pai demonstra afeto pelo seu filho, o seu filho torna-se o seu espelho e vice-versa; ao refletir o sentimento de afeto do outro, desenvolve-se o forte vínculo do amor. É nesta interação afetiva que se desenvolvem os sentimentos positivos ou negativos e que se constrói a nossa autoimagem.

O que é o afeto para uma criança?

As manifestações de afeto (abraçar, beijar, dar as mãos, fazer festinhas, cócegas…) são formas muito importantes para transmitir aquilo que sentimos e o quão amamos as crianças. Por isso, não tenha receio de dar e receber afetos. Só assim as crianças se sentem verdadeiramente gostadas, seguras e felizes.

Também ao presenciarem afetos por parte dos pais, como: darem as mãos, abraçarem-se, beijarem-se, são gestos importantes a ser incluídos no dia-a-dia da família, pois ao vivenciarem estes momentos, as crianças vão tornar-se também mais afetuosas e mais competentes ao nível da inteligência emocional.
Significa que a criança adquire mais capacidade não só para identificar as suas emoções, mas também para conseguir com mais facilidade reconhecer e compreender as emoções do outro.

Estudos indicam que nas famílias onde a demonstração de afetos é uma constante e onde há espaço para os seus membros poderem sentir genuinamente qualquer emoção, reproduzem efeitos bastante positivos. Assim sendo, estes ambientes permitem que a criança estabeleça relações fora do seu núcleo familiar, como por exemplo uma maior facilidade em fazer amigos e a capacidade de estabelecer boas relações com outras crianças e adultos.

Mas será que existe afeto ou mimo a mais?

Há aquela frase típica que todos conhecemos “estraga a criança com mimos”. Mas será que existe mimo a mais?! Não, de facto, não há mimo a mais. Pode é haver “nãos” a menos, regras que oscilam e mimos que são dados fora do sítio enquanto era tempo de dar limites, de ensinar que algo é errado e que era preciso corrigir. Por isso, não tenha receio de dar muitos mimos e afeto. Receie sim que não consiga dizer “não”, mesmo depois de o ter mimado, receie sim quando o mimo aparecer num momento em que é necessário corrigir e/ou discordar de algum comportamento ou atitude que a criança teve.

Não atire para o futuro aquilo que pode dar no presente. Trabalhe hoje no mimo, no afeto, no elogio e no abraço. Os miúdos agradecem e os pais também.


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