Ser Mulher em Portugal

Por Daniela Sousa em

Retrato da Mulher Portuguesa do século XXI

Todos sabemos os números da violência doméstica no nosso país. Só no ano passado foram assassinadas 32 mulheres em Portugal, vítimas de violência doméstica. Segundo a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), durante o primeiro confinamento, foram reportados 683 episódios de violência doméstica.
83% das vítimas eram mulheres e 34,1% dos casos ocorreram em contexto de relações amorosas.

Prevendo o agravamento dos casos de violência doméstica, durante a Pandemia, o Governo criou a Linha SMS 3060, que permitiu às vítimas o contacto por SMS, mais seguro quando a possibilidade de descrever por palavras a situação que se está a viver se torna impossível de efetivar.

Mas falemos afinal daquilo que caracteriza a Mulher Portuguesa. Cerca de 41% das mulheres portuguesas vive em casal. A emancipação da Mulher Portuguesa após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e a entrada da mulher em massa no mercado de trabalho e na vida académica, levou, não só a uma melhor literacia, o que intensificou a sua capacitação para uma cidadania ativa, ao mesmo tempo que multiplicou os papéis sociais desempenhados. Ou seja, assistimos, nos últimos 40 anos, a uma multiplicação das tarefas do dia-a-dia da Mulher, levando a que muitas delas adiassem, por exemplo, a maternidade, em prol da construção de uma carreira profissional digna.

Por outro lado, a diferença salarial entre homens e mulher no nosso país, continua a ser gritante, sendo que para o mesmo trabalho, os homens em média auferem mais 20% de vencimento. As razões por detrás desta disparidade são múltiplas e demasiado complexas para serem levadas de ânimo leve.
Vivemos hoje numa sociedade pós-modernizada, livre, que respeita a dignidade do ser humano, escolarizada e aberta para o mundo global, muito devido ao boom tecnológico das redes de comunicação e ao surgimento das redes sociais. No entanto, ainda persistem estereótipos relativamente ao que significa ser mulher nos dias de hoje, conceitos que persistem e que por vezes servem de arma de arremesso para propaganda política e ataques de trincheira. Mas é sem dúvida, muito mais complexo do que isso, pois a nossa individualidade sexual está intimamente relacionada com o significado da nossa existência, com o nosso self, com o nosso autoconceito e com o significado que damos ao mundo em que vivemos.


A igualdade pode e deve ser um ideal democrático a ser defendido, com veemência, mas nunca deve ser castrador da nossa liberdade individual e da nossa criatividade, retirando parte ao todo da nossa personalidade.