APEXA Social

Flamingo

ATIVIDADES

1 – Âmbito

1.1 – O Quê?

O projeto FLAMINGO consiste em apoiar pessoas com ou sem deficiência em risco de exclusão social na idade adulta, que necessitam de respostas efetivas às suas necessidades para combater o isolamento social e a falta de ocupação. Os objetivos de impacto a que se propôs foram garantir a autonomia pessoal, a equidade e a inclusão social, melhorar a qualidade de vida do agregado familiar, e aumentar o nível de sensibilização e formação da comunidade. A escolha destes objetivos para medir o projeto foi feita no sentido de perceber a importância da inclusão através da literacia digital, os recursos disponíveis na comunidade para a capacitação das competências das famílias como cuidadores informais na melhoria da qualidade de vida dos beneficiários, e por fim sensibilizar e informar as entidades e as empresas para a inclusão plena com possíveis estratégias inovadoras para o isolamento social.  Os “Censos Sénior 2017” mostram que mais de 45 mil idosos sinalizados vivem sozinhos ou isolados. Cerca de 40% da população portuguesa com mais de 65 anos encontra-se sozinha durante 8 horas ou mais por dia. Ou seja, quase um milhão de idosos está em situação de solidão ou isolamento social, que afeta mais homens que mulheres e está, em parte, associada ao nível de escolaridade. Por essa razão o que nos motiva diariamente é garantir a qualidade vida desta comunidade, preservar os seus direitos como cidadãos e ajudá-los a integrar-se nesta sociedade em constante mudança, promovendo um envelhecimento mais ativo.

Os desafios principais do projeto ao longo do ano 2021 foram adaptar as atividades consoante a situação do país devido à pandemia covid-19, reinventando os métodos de aprendizagem. No início do ano a maioria das atividades tiveram que ser realizadas online, suspendendo as presenciais. No entanto, foi possível continuar a dar o apoio a todos os beneficiários à distância com as novas tecnologias. Outra dificuldade sentida neste ano foi acompanhar diretamente as famílias, por viverem longe dos beneficiários, dificultando o contacto próximo com os cuidadores informais. A implementação dos Planos de Desenvolvimento Individual permitiu avaliar/diagnosticar as capacidades funcionais, cognitivas e comportamentais dos beneficiários, no entanto não foi possível aos beneficiários atingir os objetivos pretendidos pela falta de participação e adesão nas atividades. Outro desafio foi fomentar novas parcerias com as entidades educativas e locais para a implementação de sessões de inclusão no parque pedagógico. Por último, um dos maiores desafios foi criar estratégias inovadoras para combater o isolamento social e manter a ligação/proximidade com todos os beneficiários, pois com a pandemia surgiram muitos receios e problemas psicológicos, o que afetou a participação da maioria no projeto.

1.2 – Porquê?

Assumindo o desafio do combate ao isolamento social da comunidade mais envelhecida nas zonas rurais, verificou-se no diagnóstico social do concelho que nos últimos anos tem-se vindo a assistir a um aumento preocupante do envelhecimento da população ao nível dos territórios de Armação de Pêra, Algoz, Alcantarilha, Pêra, e Tunes. Nos censos 2021 verifica-se o agravamento do fenómeno de envelhecimento da população, com o aumento expressivo da população idosa e a diminuição da população jovem: em 2021 existem 182 idosos (+65 anos) por cada 100 jovens (18 a 35 anos). Para além do Projeto Assistência 24 – Teleassistência domiciliária, Desporto Sénior e os Polos de Educação ao longo de vida, projetos da Câmara municipal, não existem respostas sociais no âmbito da responsabilidade social a menos de 6 quilómetros do território onde se localiza o projeto. O envelhecimento da população é assim um dos problemas reais do concelho, o que acarreta os consequentes problemas de dependência e maior necessidade quer de cuidados de saúde quer de âmbito social. Para além da inexistência de respostas sociais no território verifica-se uma escassa rede de transporte públicos, pois existe pouca variedade nos horários e na acessibilidade aos acessos da rede rodoviária. A rodoviária mais acessível encontra-se em Armação de Pera, a 6 quilómetros de Vale de Margem, que estabelece ligação entre Silves, Faro, Portimão, Lagos, Albufeira e Lisboa. Essa problemática afeta principalmente pessoas da terceira idade que se encontram isoladas em casa, a maioria não tem o apoio familiar presencial e não é acompanhada por entidades locais de apoio social, o que torna bastante complicada a realização de tarefas e o acesso a serviços de utilidade pública.

1.3 – Como?

O projeto Flamingo tem apoiado os beneficiários de toda a comunidade envolvente, através das ações pedagógicas e sociais que pretendem proporcionar momentos de convívio e de aprendizagem, promovendo novas relações interpessoais. O projeto promove também a alfabetização e info-inclusão, através de aulas de computador e de português, tendo como objetivo específico diminuir a exclusão digital e o analfabetismo. No âmbito das terapias e da estimulação cognitiva, os beneficiários têm sido acompanhados com sessões terapêuticas de grupo, com o objetivo específico de ajudar as pessoas a conhecer as necessidades psicológicas e emocionais de si próprias para lidar com as suas dificuldades. Nos momentos lúdico-pedagógicos de grupo são realizados exercícios terapêuticos e gincanas sensoriais, com o objetivo de trocar experiências e conhecimentos entre o grupo, promovendo a aprendizagem ao longo da vida. As famílias dos beneficiários recebem sessões de inclusão em parceria com a rede social local, com o objetivo de definir um plano de intervenção social integrado. 

2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

Os stakeholders deste projeto são todos os indivíduos e entidades, que vivem ou residem no concelho de silves e áreas envolventes, dos quais beneficiam deste projeto, pois para além da identificação e resolução dos seus problemas o projeto leva em consideração o envolvimento de todas a partes para o sucesso do projeto, dando sempre prioridade à satisfação e à realização pessoal dos stakeholders, prezando os principais valores da nossa empresa (inclusão, respeito e solidariedade).  

Utentes em risco de exclusão social (50 a 85 anos) – São beneficiários em idade adulta e/ou terceira idade que se encontram em situação de isolamento social no concelho de silves, e que deverão ser capazes de desenvolver competências sociais para a vida atual, contribuindo para a autonomia pessoal, a equidade e inclusão social.

Utentes sem deficiência – Os beneficiários são pessoas em idade adulta que não apresentam deficiência, contudo apresentam dificuldades na língua portuguesa, o que dificulta a sua inclusão na sociedade. Por isso deverão ser capacitados para as competências básicas da língua, para que possam compreender e agir criticamente no seu quotidiano e que tenham as mesmas possibilidades/condições que as outras pessoas.

Familiares/Tutores – As famílias/tutores são todos aqueles que estejam envolvidos na vida do utente, quer sejam cuidadores informais ou não, pois deverão estar capacitados a atuar nas situações que afetam o bem-estar do beneficiário, atuando como um agente promotor da inclusão e participando ativamente na vida do utente.

Equipa Técnica- Equipa multidisciplinar constituída por um técnico de educação social, um técnico superior de serviço social, um psicólogo clínico, um gestor de projetos e de relações externas e um técnico de desporto, com ação direta no processo educativo e social em contexto comunitário no combate à exclusão social. Como agentes de mudança social devem estar capacitados para agir para a inclusão social, nas inadaptações e no bem-estar social, contribuindo para o desenvolvimento e para a construção de projetos de vida. 

Outros stakeholders hierarquizados do maior para o menor interesse e poder:

Sócios/Padrinhos – Pessoas que são apoiadas pelo projeto ou que pretendem ajudar na sua sustentabilidade. Podem participar nas assembleias gerais da instituição como podem ajudar no crescimento do projeto com opiniões e ideias a aplicar em prol da inclusão. 

Principal Parceiro – O principal parceiro do projeto é a junta de Freguesia de Armação de Pera, pois é uma entidade que acredita e defende o associativismo como um papel fulcral na sociedade, que apoia o espírito voluntário e empreendedor com que os seus dirigentes e demais colaboradores conseguem concretizar projetos, atividades e iniciativas, frequentemente com recursos insuficientes, mas que respondem a vontades e anseios da população em geral. 

Parceiros Institucionais – O projeto é apoiado pelos parceiros institucionais: o Clube de Futebol- “Os Armacenenses”, a Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines e os Agrupamentos de Escolas de silves e Silves Sul. Estas entidades colaboram juntamente com o projeto para promover a relação intergeracional entre os idosos e os jovens, sensibilizar e informar a comunidade para a inclusão plena, realizar ações que promovam a solidariedade e cooperação entre ambas as gerações. Outro parceiro é a Unidade Móvel de Saúde da Câmara Municipal de Silves que apoia a comunidade com a prevenção e prestação de atos de saúde à população idosa. A Câmara Municipal de Silves também apoio o projeto, através dos programas de apoio à ação social e cultural.

Parceiros Sociais (Patrocinadores) – A base do projeto é constituída por pequenos patrocinadores que contribuem por afinidade ou partilha de visão e missão dos valores do projeto. Para além do apoio das juntas e uniões de freguesias (Armação de Pera, Alcantarilha e Pera, Algoz e Tunes), a Fidelidade, nomeadamente o gabinete da responsabilidade social, é um parceiro social que trabalha com a APEXA em busca de um mundo mais sustentável, promovendo a equidade social, o respeito pelo ambiente e a aposta na inovação. 

Outros Familiares e Amigos- Pessoas que constituem a rede social de suporte dos beneficiários diretos, pois com a sua ajuda é possível aplicar um plano de intervenção social integrado e identificar os recursos disponíveis na comunidade. Este tipo de stakeholders é fundamental para a execução do projeto, pois é com esse apoio que é possível implementar e atingir os projetos de vida de cada beneficiário, desenvolvendo a satisfação com o suporte social.

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupos de Stakeholders SegmentosCaracterização Relação com o Projeto 
Utentes em risco de exclusão socialAdultos e Idosos14 Adultos entre os 50 e os 85 anos.Participam 5 vezes por semana em atividades individuais e grupais na perspetiva de desenvolvimento de competências e de ocupaçãoOs destinatários principais recebem apoio e acompanhamento adequado para o desenvolvimento de competências sociais para a vida atual, e meios para facilitar a descoberta de novos caminhos e alternativas. 
Utentes sem deficiênciaAdultos3 Adultos entre os 35 e os 75 anos.Participam 1 vez por semana em aulas individuais, na perspetiva de desenvolvimento de competências alfabetas na língua portuguesaOs destinatários principais recebem apoio e acompanhamento adequado para o desenvolvimento de competências básicas na língua portuguesa, tendo as mesmas possibilidades/condições que os outros.  
Familiares/TutoresAdultosPessoas sinalizadas como responsáveis dos beneficiários:13 famílias compostas por agregados familiares de 23 elementos ao todoOs destinatários principais recebem ações de capacitação para atuar no plano de intervenção do beneficiário como um agente promotor da inclusão.
Equipa Técnica 5 técnicos: 1 educador social, 1 técnico superior de serviço social, 1 psicólogo clínico, 1 gestor de projetos e de relações externas e 1 técnico de desportoEquipa multidisciplinar que atua como agente de mudança social em contexto comunitário, função para a qual receberam ações de capacitação para o exercício mais consciente e eficaz.
Sócios/PadrinhosAdultos e idososAdultos entre os 35 e os 85 anos que apoiam o projeto.Destinatários diretos que apoiam na sustentabilidade e no crescimento do projeto em prol de inclusão
Principal Parceiro Junta de Freguesia de Armação de Pera Órgão executivo que possibilita ações de capacitação e o apoio de projetos sociais e atividades inovadoras. Defende o associativismo e o espírito voluntário.
Parceiros Institucionais O Clube de Futebol- “Os Armacenenses”; a Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines; os agrupamentos de Escolas de silves e Silves Sul; a união de freguesias de algoz e tunes; união de freguesias de Alcantarilha e Pera; Câmara Municipal de SilvesDisponibilizam, recursos, serviços, informações relevantes para a concretização e comunicação do projeto, colaborando nas ações de capacitação para a inclusão plena
Parceiros Sociais (Patrocinadores) Gabinete de Responsabilidade Social da Fidelidade- SegurosOrganizações que ajudam na sustentabilidade do projeto em prol da responsabilidade social.
Outros Familiares e Amigos Pessoas que constituem a rede social de suporte dos beneficiários diretos (irmãos, sobrinhos, netos, colegas de escola, amigos, etc)37 familiares e 11 amigosSem relação direta com o projeto, mas constituem a rede social de suporte dos beneficiários, aproveitando as competências sociais adquiridas por estes no projeto.

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

Os beneficiários diretos são 17 pessoas adultas e idosas que se encontram na faixa etária dos 40 a 85 anos, dos quais 14 beneficiários vivem na Freguesia de Alcantarilha e Pera, e os restantes 3 em Albufeira. Em relação ao género, 10 beneficiários são do sexo feminino e 7 do sexo masculino. 4 dos beneficiários vivem sozinhos em casa, e os restantes vivem apenas com o seu cônjuge.

A maioria dos beneficiários são reformados, exceto dois utentes, dos quais um é pensionista por invalidez e o outro é trabalhador. Em relação aos interesses, os beneficiários que vivem em zonas rurais costumam ocupar o dia com trabalhos do campo, nomeadamente apanhar azeitonas, alfarrobas, partir amêndoas, cultivar diferentes legumes e cuidar da horta, fazer jardinagem e costuras (bordados), e os beneficiários que vivem em zona urbanas têm a tendência de viajar e passear mais pelo país. As principais problemáticas enfrentadas por este público são o isolamento e a solidão que vivem, pois nas suas zonas não existem muitas condições para assegurar uma boa qualidade de vida, devido à escassez de serviços de saúde nas proximidades, e um serviço de transportes públicos eficaz. Outra dificuldade é a baixa alfabetização da língua portuguesa, pois alguns dos beneficiários têm uma grande limitação na expressão oral e de escrita, devido ao baixo grau de instrução, mas também por virem de países diferentes, dificultando a sua integração e interação social.

Indiretos

Os beneficiários indiretos são principalmente os filhos, irmãos, sobrinhos e netos dos beneficiários diretos do projeto, pois a maioria já não tem pais. No que toca a familiares são 60 beneficiários indiretos com idades entre os 6 a 85 anos, dos quais 29 são do sexo feminino e 31 do sexo masculino. A maioria destes beneficiários vivem longe dos familiares, pois algumas famílias emigraram para a França ou Inglaterra, e para outras regiões de Portugal. Em relação a técnicos de outras entidades, semanalmente 2 técnicos do desporto sénior da câmara Municipal de Silves, e pontualmente 4 técnicos do projeto “SMI- Somos Mesmo Inclusivos” da Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines estão envolvidos indiretamente com o projeto Flamingo, prestando apoio a alguns dos seus beneficiários. Outra beneficiária indireta que tem apoiado o projeto pontualmente é uma aluna do Polo de Educação de Armação de Pera. Na totalidade contabilizam-se 67 beneficiários indiretos.

3 – Realizações

2.1 – Grupos de Atividades

Grupo 1 – Atividades de Grupo

As atividades de grupo servem para promover relações interpessoais e incentivar a aprendizagem ao longo da vida para aumentar as capacidades comportamentais. Este grupo de atividades teve como resultado a construção de novos laços sociais, e a capacitação dos beneficiários com ferramentas para lidarem com os níveis de ansiedade, de solidão e encontrar soluções para as situações -problema. Apesar da pandemia ter atrasado as atividades de grupo, os beneficiários continuaram a desenvolver as competências socias e outras aprendizagens, que têm tido também um grande impacto nas suas vidas:  a autossuperação, o respeito pelos outros, a autodisciplina, a cooperação, e o espírito de equipa. Todas estas atividades têm estado a contribuir para a equidade social, garantindo a autonomia e a inclusão social.

Grupo 2 – Sessões Individuais

As atividades individuais servem para combater a exclusão social digital e o analfabetismo, permitindo que um maior número de pessoas tenha as mesmas possibilidades e condições de acesso às novas tecnologias, prevenindo dificuldades psicossociais, que interfiram no desenvolvimento global da pessoa. Este grupo de atividades teve como resultado o aumento da resiliência para superar as situações-problemas a nível da saúde psicológica, através de ferramentas emocionais, relacionais, de gestão pessoal e de autocuidado. Este grupo de atividades também promove a concentração, a memória, o raciocino verbal e lógico, e a capacidade de resolução de problemas, aplicando diversos materiais e instrumentos terapêuticos. Estas atividades têm contribuído também para a equidade social e para a melhoria da qualidade de vida do agregado familiar.

Grupo 3- Eventos

As atividades deste grupo servem para sensibilizar e informar toda a comunidade envolvente do concelho para a inclusão social plena, promovendo novas relações sociais e o convívio entre diversas gerações/necessidades.  Este grupo teve como resultado formar a comunidade para o aumento da consciencialização para as problemáticas sociais e para a responsabilidade social em busca por uma comunidade mais inclusiva, através de interações e sinergias entre as diferentes entidades, contribuindo para o eixo da sensibilização comunitária.

2.2 – Tabela de Atividades

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
Atividades de GrupoMomentos lúdico-pedagógicos de grupo: Oficinas Lúdicas (1 hora)Semanal27276
Atividades de GrupoAções pedagógicas e sociais: Clube “Tertúlias da Tarde” (Teatro) (1,5hora)Semanal2740,510
Atividades de GrupoPsicologia em Grupo (1,5 hora)Semanal1116,57
Atividades de GrupoUnidade Móvel de Saúde (1hora)Quinzenal8813
Sessões IndividuaisAtividades de alfabetização e TIC (1 hora)Semanal18618610
Sessões IndividuaisVisitas Domiciliárias (1hora)Semanal838312
Sessões Individuais Desenvolvimento de competências socio emocionais:Apoio Telefónico/atendimentos (0,5 horas)Semanal1005017
Sessões Individuais Exercícios terapêuticos e gincanas sensoriais: Terapia Inclusiva (1hora)Semanal535311
EventosPasseio Vale dos Dinossauros em AlbufeiraPontual127
EventosAtividade intitulada “ O MMAS está a recrutar conservadores-restauradores!” das oficinas de restauro da Câmara de SilvesPontual117
EventosDia do idoso e música no projeto pró-vida Pontual147
EventosLanche de natalPontual127
EventosPrograma de férias de natal com o Projeto “SMI” da Casa do Povo de São Bartolomeu de MessinesPontual14,76
EventosAPEXA Open Day: Conferência online sobre “O impacto da pandemia dos beneficiários em isolamento social” Pontual10,6 

SocialHub

ATIVIDADES

1 – Âmbito

  1. – O Quê?

Através de um conjunto de ferramentas que se desdobram em 2 principais campos de intervenção; o apoio social, dirigido às famílias e aos utentes e a criação de redes colaborativas, que promovam a inclusão de pessoas com deficiência, no mercado de trabalho foi possível criar uma resposta inovadora e de elevado valor social, que pretende ser uma “luz ao fundo do túnel” para as pessoas portadoras de deficiência e suas famílias e também para as famílias em risco ou em exclusão social/isolamento social. O Exímia, projeto de mentoria e intervenção social, baseado no modelo de intervenção de gestão de casos, trouxe uma forma mais próxima e contínua de dar resposta aos problemas sociais apresentados pelas famílias. Muitas vezes as Instituições de apoio formais, pela intensa procura de apoio que registam e por vezes, pela falta de recursos técnicos e humanos que sejam suficientes para dar resposta efetiva às necessidades, acabam por não conseguir chegar a todas as famílias que necessitam de apoio social, seja ele de tipo pecuniário, em géneros ou de apoio psicossocial. O projeto exímia funcionou como um projeto experimental, em que foram elaborados Planos de Intervenção com as famílias, que as colocavam como principais agentes da sua própria mudança, aumentando a qualificação territorial dos grupos populacionais, melhorando a qualidade de vida do agregados e empoderando os seus beneficiários. Esse era o principal objetivo, que foi em larga medida alcançado. 

O projeto Comunidades Inclusivas desenvolve-se em três principais áreas de atuação: as escolas, as empresas e a comunidade. Foram realizadas ações de dinamização social nas escolas, com o objetivo de sensibilizar para a falta de recursos existentes de apoio a estes alunos, como suporte terapêutico e reabilitativo, ao mesmo tempo que formávamos o pessoal docente, não docente e os alunos a melhor lidar com os seus alunos com necessidades especiais. Desenvolvemos vários programa corporativos, através de consultadoria social às empresas, promovendo a criação de um ecossistema corporativo inclusivo, o que possibilitou a assinatura de contratos de trabalha entre essas empresas e pessoas com deficiência apoiadas pela apexa. Ao mesmo tempo, na comunidade, aumentamos a sensibilização comunitária para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência, criando mais um polo de atendimento físico, em Ferreiras, freguesia de Albufeira, chegando assim, fisicamente, a mais pessoas e criando maior impacto social. 

Assim, o projeto Social Hub funcionou como um catalisador de mudança social, promovendo a criação de comunidades inclusivas, cidadãos que reconhecem a inclusão social enquanto direito fundamental e famílias mais realizadas e felizes com a sua qualidade de vida. O apoio social e o trabalho de intervenção comunitária foi a base de todo o trabalho realizado pelo projeto, através da avaliação de necessidades, construção de planos de intervenção com as famílias e gestão de caso, dentro dos serviços disponibilizados pela rede social local, numa perspetiva colaborativa e de trabalho em rede.

  1. – Porquê?

Sabe-se que, em Portugal, 1,4 milhões de pessoas são cuidadores informais, número impulsionado pela crise pandémica. Com o fecho, ou interrupção de atividades, de inúmeras respostas sociais dirigidas a pessoas com deficiência ou incapacidade, muitas foram as famílias que se viram obrigadas a abdicar da sua vida pessoal e profissional para prestarem cuidados e pessoas dependentes, por questões relacionadas com o envelhecimento ou com deficiência. Segundo um inquérito realizado pelo Movimento de Apoio aos Cuidadores Informais, numa amostra de 1800 pessoas, é possível constatar a falta de resposta existentes para pessoas com deficiência ou incapacidade, a começar pelas estruturas mais convencionais, como ERPI e UCCI, mas também em respostas mais de proximidade como o apoio domiciliário, em que a procura continua a ser muito superior à oferta existente.  No Algarve existem cerca de 68 824 pessoas com pelo menos um tipo de incapacidade (in Diagnóstico Social do Município de Silves – 2016), que pode não significar que têm uma deficiência, mas significa com certeza, que necessitam de apoio social, comunitário e de acessibilidades, física ou digital, a espaços e serviços públicos ou privados, essenciais ao seu dia-a-dia. Como mostra o diagnóstico social do concelho de Albufeira, só no concelho, existem 70 pessoas com deficiência que aguardam uma vaga para resposta residencial ou de carácter ocupacional (fonte: Concelho Local de Ação Social de Albufeira). 

Cerca de 600 famílias usufruem ou já usufruíram do apoio da APEXA, mas, ainda assim, muitas admitem que esse apoio não consegue satisfazer todas as suas reais necessidades, pois carece de uma visão integrada e colaborativa, dentro da própria dinâmica social e comunitária.

  1. – Como?

Através de uma visão humanista e ecossistémica, com recurso a saberes de diversas áreas das Ciências Sociais e Humanas e recorrendo a uma adaptação da Escala de Satisfação com o Suporte Social (Ribeiro, 1999), foi possível identificar, de entre um conjunto de 25 subtipos de necessidades biopsicossociais, quais seriam aquelas que, no entender da família, seriam mais importantes de resolver ou intervir. Esses subtipos foram classificados com uma escala de graduação da necessidade percebida pela família, de forma a criar um suporte de avaliação social que fosse o mais individualizado possível. Esse processo de avaliação social foi aplicado extensamente no primeiro atendimento com a família e, de forma mais breve, nos atendimentos seguintes, de forma a conseguirmos monitorizar e avaliar o percurso percorrido, em cada etapa do projeto. Após a etapa diagnóstica, foi elaborado o Plano de Intervenção Familiar, para cada família beneficiária, com concordância e participação ativa da mesma, para 1 ano de intervenção, sujeito a várias avaliações intercalares e suportado por um trabalho de acompanhamento social personalizado. Por outro lado, a abertura de um novo espaço de atendimento social permitiu chegar a famílias com carências sociais e económicas persistentes, muitas vezes com um trabalho já realizado pela Rede Social Local, mas, sem conseguirem, efetivamente, produzir a mudança social necessária. A Incrementação do trabalho em rede e o desenvolvimento de parcerias institucionais e corporativas, trouxe um novo leque de opções de intervenção integrada, com resultados significativos.  

 2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

A intensificação do trabalho em rede fez aumentar a relevância do papel assumido pelos Stakeholders, parceiros que impactam e que são impactados pelo projeto. A manutenção de uma boa relação com as entidades parceiras, reconhecendo a importância do trabalho da APEXA para o desenvolvimento dos seus prepósitos enquanto entidades facilitadoras, através da identificação exata de quais são afinal os outcomes por si valorizados, foi fundamental para construir o nosso plano de atividades e mapear o Impacto Social do projeto. 

  • Famílias em carência socioeconómica – Muitas vezes designadas por famílias multiproblemáticas, são grupos de indivíduos que se encontram, de forma permanente, sujeitos a um conjunto diverso de privações e de carências em vários campos, e que necessitam por isso, de uma intervenção transdisciplinar integrada e individualizada, algo prolongada no tempo; 
  • Famílias com necessidade de apoio social e de serviços se saúde/reabilitativos – Trata-se de famílias com pessoa(s) portadora(s) de deficiência(s), que procuram um serviço ou um conjunto de serviços especializados, de carácter terapêutico/reabilitativo; 
  • Equipa Técnica – 1 Técnico Superior de Serviço Social, responsável pela coordenação do projeto e atendimento e apoio social aos beneficiários; 1 Educador Social, responsável pela dinamização de atividades grupais, análise de dados e encaminhamento para outros serviços; 1 Gestor de Parcerias e Comunicação, responsável por facilitar a manutenção do ecossistema colaborativo, sendo um facilitador do trabalho em rede. 
  • Sócios/Mecenas – Grupo de Suecos de Albufeira, através do apoio, através da Lei do Mecenato, ao desenvolvimento do projeto. 
  • Principal Parceiro: INR, I.P. – Instituto Nacional para a Reabilitação: através do financiamento do projeto, o INR responde à sua Lei de Bases, nomeadamente nos pontos que dizem respeito à implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e no apoio a organizações não governamentais de apoio a pessoas com deficiência, em respeito com a sua missão. 

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupos de Stakeholders SegmentosCaracterização Relação com o Projeto 
BeneficiáriosFamílias em carência socioeconómicaMuitas vezes designadas por famílias multiproblemáticas, são grupos de indivíduos que se encontram, de forma permanente, sujeitos a um conjunto diverso de privações e de carências em vários campos, e que necessitam por isso, de uma intervenção transdisciplinar integrada e individualizada, algo prolongada no tempo.Recebem apoio social integrado, segundo o modelo de Intervenção social baseado na gestão de casos.
Famílias com necessidade de apoio social e de serviços se saúde/reabilitativosTrata-se de famílias com pessoa(s) portadora(s) de deficiência(s), que procuram um serviço ou um conjunto de serviços especializados, de carácter terapêutico e reabilitativo, para a sua condição. A pessoa portadora de deficiência pode ter qualquer tipo de diagnóstico. Recebem um conjunto de serviços de carácter terapêutico e/ou reabilitativo, que engloba terapia ocupacional, da fala, psicologia e/ou fisioterapia, ou serviços de carácter ocupacional para pessoas portadoras de deficiência.  
Equipa Técnica  Técnico Superior de Serviço Social Licenciado em Serviço Social Coordenação do projetoAtendimentos sociais Intervenção Social 
Educador Social Licenciado em Educação Social Dinamização de atividades grupais; Análise de dados; Encaminhamento para outros serviços. 
Gestor de Parcerias e ComunicaçãoLicenciado em Arquitetura Manutenção do ecossistema colaborativo¸Criação de novas parcerias; Facilitador do trabalho em rede. 
Sócios/MecenasGrupo de Suecos residentes em Albufeira Associação não governamental de apoio e mecenato social Facilitador da operacionalização do apoio em géneros do projeto Exímia; dinamizador social 
INR, I.P. Programa de Financiamento a Projetos 2021O Programa de Financiamento a Projetos do Instituto Nacional para a Reabilitação, destina-se a apoiar financeiramente projetos apresentados por Organizações Não-Governamentais das Pessoas com Deficiência (ONGPD), registadas no INR. O programa é lançado anualmente e distingue os projetos que promovam os direitos, a qualidade de vida e a inclusão das pessoas com deficiência. Apoio financeiro ao projeto.  
Órgãos de Poder Local Junta de Freguesia de Ferreiras Orgão Executivo Parceiro Social 
Câmara Municipal de Albufeira Orgão ExecutivoParceiro Social 

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

São beneficiários diretos do projeto famílias em situação de risco/exclusão social, residentes na região algarvia. Existe uma percentagem significativa, (cerca de 49%) de família monoparentais femininas e dois terços das famílias então em situação de desemprego/carência económica. São também beneficiários diretos do projeto empresas, sediadas na região do Algarve, que participam no Plano Corporativo e que pretendem admitir nos seus quadros, pessoas portadoras de deficiência.  

Indiretos

Como beneficiários indiretos do projeto, apresentam-se as entidades de poder local que, com os objetivos alcançados pelo projeto, viram as suas comunidades aumentarem a sua qualidade de vida. São também beneficiários indiretos do projeto a comunidade escolar (agrupamentos de escolas locais). 

(Texto resumido de 500 caracteres a caracterizar os beneficiários indiretos de forma geral. Relembro que beneficiários indiretos são: Irmãos, Avós, tios ou outros elementos do mesmo agregado que vivam na mesma casa, professores, técnicos de outras entidades em que os beneficiários tenham apoio. (Em relação aos pais e cuidadores, se o projeto previr o trabalho direto com as famílias, ações de formação, apoio social ou outros, este serão beneficiários diretos)

3 – Realizações

2.1 – Grupos de Atividades

Atendimentos

Atividade fundamental no processo de avaliação diagnóstica e na construção de um plano de ação individualizado para cada família. Engloba os acolhimentos iniciais, a todas as famílias que procuram os serviços da APEXA, como também a recolha de informações iniciais de todas as sinalizações que chegam ao projeto. O atendimento social foca-se numa entrevista semiestruturada de avaliação de necessidades biopsicossoais, descrição de competências e potencialidades e anotação de possíveis entraves ao desenvolvimento e inclusão social da família/indivíduo. Neste grupo de atividades participaram as famílias beneficiárias, co construindo o seu Plano de Intervenção Familiar (eixo de impacto D) e comunicando a implementação do mesmo, o que resultou num aumento de competências do utente e dos seus cuidadores/familiares (eixo de impacto E) e, por conseguinte, um aumento da sua Qualidade de Vida Global (eixo de impacto F). 

Eventos 

Por eventos entende-se todas as reuniões de representação e de trabalho em rede, nomeadamente no âmbito do trabalho do NLI – Núcleo Local de Inserção, da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Albufeira e também, nas reunião do Conselho Local de Ação Social (CLAS). Os eventos incluem também todas as ações de sensibilização e de divulgação do projeto que foram desenvolvidas, ao longo do ano de 2021, em contexto comunitário ou corporativo. O trabalho em rede que foi desenvolvido com os agentes de poder local, procurou promover a integração no mercado de trabalho de pessoas portadoras de deficiência (eixo de impacto G), através de parcerias com empresas empregadoras locais, incrementando a sensibilização da comunidade para a necessidade de criar novas respostas que promovam a inclusão socioprofissional de pessoas com deficiência ou incapacidade (eixo de impacto H). O trabalho de mentoria feito junto dessas entidades foi fundamental para que as mesmas reconhecessem a mais-valia que resulta da criação desses mecanismos de inclusão social e da vantagem estratégica que representa ter uma pessoa portadora de deficiência, na equipa de trabalho (eixo de impacto I). 

2.2 – Tabela de Atividades

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
AtendimentosAcolhimentosSemanal 514761
 Atendimentos sociais Semanal 11212038
 Visitas Domiciliárias Pontual 253015
Eventos Reunião com parceiros Institucionais Mensal 1640N/A