APEXA Saúde

RIA

ATIVIDADES

1 – Âmbito

  1. – O Quê?

O projeto Reabilitar e Intervir no Autismo (RIA) procura promover o desenvolvimento pessoal e integração social de crianças e jovens com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), uma vez que pretende efetivar uma resposta às necessidades dos cuidadores através da prestação de apoio terapêutico diário aos utentes durante os períodos não letivos. Com base numa abordagem terapêutica que recorre às atividades em grupo, ao desenvolvimento de competências nos vários domínios de intervenção e à execução de avaliações periódicas, planos individuais e monitorizações dos indicadores de performance dos utentes. No contexto familiar, a proximidade com as famílias é um fator determinante para melhorar a qualidade de vida e bem-estar dos utentes. Assim como, a inclusão da comunidade que permite estabelecer relações com as entidades educativas/equipas locais e, consequentemente, construir uma sociedade mais inclusiva. Relativamente aos beneficiários, os objetivos de impacto a que o projeto se propôs envolveram a realização de atividades terapêuticas, de forma promover uma maior autonomia e qualidade de vida dos utentes.  Em relação às famílias os objetivos que se estabeleceram relacionaram-se ao seu acompanhamento regular, com o intuito de manter a proximidade com os cuidadores e capacitá-los em várias temáticas. No âmbito da comunidade, os objetivos de impacto incidiram em promover uma sociedade mais informada e consciente.  Os desafios identificados foram os vários constrangimentos dos quais destacamos a pouca estabilidade dos recursos humanos o que originou perda de eficiência, aumento dos custos do contexto no acolhimento e formação dos profissionais de saúde afetos ao projeto. Desta forma e considerando a mão de obra especializada como um dos fatores de sucesso na intervenção com os utentes teve como consequência a estagnação do projeto ao longo do ano.  A crescente procura por parte das famílias para integração de novos utentes no projeto, a falta de recursos humanos e limitação de 10 vagas impossibilitou o aumento de uma resposta eficaz a esses pedidos tornando desta forma a taxa de novos acolhimentos insuficiente.

1.2 – Porquê?

Retirando de forma empírica a informação disponível em consonância com a experiência da APEXA no território do Algarve foi possível aferir as carências do setor social, e em particular, na Perturbação do Espetro do Autismo. 

Relativamente à área Deficiência, foi possível verificar, na caracterização das diferentes instituições, que apenas a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira e a APEXA estão direcionadas para a intervenção junto deste grupo, sendo que as áreas geográficas são as freguesias de Albufeira, Olhos de Água, Guia e Paderne. Foi concluído a insuficiência de equipamentos destinados à deficiência, ao acolhimento de crianças e jovens em perigo e de apoio a grupos vulneráveis (saúde mental, unidades de vida apoiada) (Diagnóstico Social de Albufeira 2013).

De acordo, com o Projeto Educativo 2017-2020 do Agrupamento de Escolas de Ferreiras após análise dos dados dos anos letivos anteriores e considerando o ano letivo (2017/18), pôde-se constatar que o número de alunos de educação especial aumentou consideravelmente, de 119 alunos no ano letivo 2014/2015 para 150 alunos, no ano letivo 2017/18, havendo 22 alunos com Currículo Específico Individual (CEI).

Paralelamente, no estudo de Sousa, M. (2014). Necessidades das famílias com crianças com autismo, resiliência e suporte social., realizado com uma amostra de 48 familiares de crianças e jovens com PEA em Portugal, verificou-se que existem necessidades ao nível dos Serviços da Comunidade, de Apoio e de Funcionamento da Família. Quanto às necessidades das famílias com crianças com PEA conclui-se que para além da sobrecarga sobre os cuidadores, existe uma insuficiência de serviços de apoio comunitários, de ocupação de tempos das crianças, de apoio psicológico e apoio familiar. 

Por sua vez, Oliveira, et al. (2007) num estudo realizado acerca da epidemiologia em crianças, em idade escolar com PEA em Portugal, aponta para uma prevalência estimada em Portugal de cerca de uma em cada mil crianças. 

Segundo a Federação Portuguesa de Autismo (FPDA), em matéria de custos sociais, a PEA mostra ter um impacto considerável ao nível do emprego, havendo 23% das famílias que optaram por trabalhar a tempo parcial para poderem cuidar dos filhos.

Considerando os factos acima mencionados, assim como a missão estatutária da APEXA, revertida nas respostas sociais como o Projeto RIA podemos concluir que este projeto é determinante e fundamental para a região do Algarve, especificamente no concelho de Albufeira. 

1.3– Como? 

O projeto RIA assume uma intervenção diária e diversificada, que permite o desenvolvimento das competências dos seus utentes e, consequentemente, uma maior autonomia nas suas ocupações. A articulação com os intervenientes dos vários contextos em que a criança está inserida são uma constante, de forma a reforçar e complementar o trabalho realizado noutras áreas, como o Ensino. Antes de cada sessão de grupo, existe um planeamento antecipado das atividades para desenvolver os objetivos delineados. As atividades são adaptadas às necessidades de cada utente, de forma a potenciar o seu desempenho. Após cada sessão, efetua-se o registo das atividades/observações e o preenchimento de tabelas de monitorização que contribuem para uma avaliação mais detalhada da evolução dos utentes. O projeto é considerado um contexto securizante para os utentes que têm ao seu dispor vários espaços físicos (Sala de atividades, Jardim Exterior e Sala de Snoezelen), fator importante para a sua regulação emocional.  

 2. – Stakeholders

  • – Quem são?

No processo de inclusão e de reabilitação das crianças com PEA na sociedade são determinadas variáveis intrinsecamente ligadas ao processo de inclusão. Todos os stakeholders são parte integrante deste processo, na medida em que a ação multidisciplinar sobre as suas especificidades, permitem uma taxa de sucesso e um incremento na qualidade de vida dos utentes. Neste processo são identificados vários stakeholders onde destacamos os utentes, as famílias e a equipa técnica como fundamentais na intervenção direta e execução do mesmo. 

Utentes – são os principais beneficiários do projeto. Na criação de respostas adequadas e específicas para cada um, com o objetivo de promover a inclusão dos mesmos na sociedade através do desenvolvimento de competências nas várias áreas: motora, sensorial, percetiva, cognição, comportamental, comunicação e AVD’s e na participação em atividades em contexto de grupo terapêutico, de forma atingir uma maior autonomia nos contextos em que estão inseridos. 

Cuidadores/Familiares – um dos principais alvos da resposta social do projeto RIA pela educação, acompanhamento e mentoria das famílias dos utentes. É através de instrumentos de transferência de conhecimento e metodologias terapêuticas adaptadas ao contexto familiar e com capacidade de execução em ambiente familiar com o objetivo de pela inovação e trabalho diário aumentar a taxa de sucesso e gerar uma maior eficiência nas intervenções com os utentes. 

Equipa técnica – terapeutas e auxiliares – profissionais na área da saúde, reabilitação e educação com a responsabilidade de planear/dinamizar as atividades, fornecer o acompanhamento terapêutico aos utentes, realizar avaliações/planos de desenvolvimento, capacitar as famílias, de forma a promover o seu envolvimento no processo terapêutico. A sua atuação abrange também a comunidade através da articulação com as entidades locais para a divulgação do projeto e partilha de informação. 

Sócios/Padrinhos – entidades privadas que contribuem com apoio monetário, ou outros recursos, de forma a promover um apoio direto aos utentes/famílias através do reforço da inclusão pela criação de oportunidades para que famílias em fragilidade social possam beneficiar dos serviços prestados pelo projeto. 

Parceiros Institucionais – entidades ou instituições com responsabilidade social no território, visibilidade e com capacidade de mobilização de recursos com o objetivo de promover o projeto RIA através de canais de comunicação, redes de network e investimento em infraestruturas com vista a uma resposta mais eficiente e alargada a um maior espectro da população-alvo, assim como o reforço do bem-estar dos utentes e famílias.

Colaboradores e voluntários – voluntários provenientes da comunidade académica ou da sociedade civil com o objetivo de reforçar as equipas de intervenção no processo terapêutico aos utentes com funções estabelecidas num plano de ação que visam complementar o acompanhamento aos utentes e o suporte nas atividades desenvolvidas. 

Principal Parceiro – Fundação “la Caixa” forneceu apoio financeiro ao projeto através do Prémio BPI Capacitar que resultou na melhoria das condições laborais/materiais e numa resposta mais adequada aos utentes. Esta colaboração pretende promover a autonomia pessoal e a melhoria da qualidade de vida dos utentes, assim como apoiar as necessidades da sua envolvente familiar. 

2.2– Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias. 

Grupos de Stakeholders SegmentosCaracterização Relação com o Projeto 
Utentes Crianças e jovens Utentes entre os 6 e 14 anos, residentes no concelho de Albufeira numa família nuclear, maioritariamente são do sexo masculino.  Beneficiam de acompanhamento terapêutico diário através do desenvolvimento de atividades nas várias áreas de intervenção, de forma a promover a sua inclusão na sociedade. 
Cuidadores/Familiares dos utentes  Pais/Cuidadores dos utentes (35 aos 45 anos), residentes no concelho de Albufeira. Recebem feedback diário da participação dos utentes nas atividades.São os destinatários das ações de acompanhamento, mentoria e formação do projeto. 
Equipa Técnica Terapeutas e Auxiliares da área da Saúde, Reabilitação e Educação. Responsáveis por planear/dinamizar as atividades, fornecer o acompanhamento terapêutico, capacitar e formar as famílias. 
Sócios/Padrinhos Entidades privadasContribuem com apoio monetário, ou outros recursos, de forma a promover um apoio direto aos utentes/famílias através do reforço da inclusão pela criação de oportunidades para que famílias em fragilidade social possam beneficiar dos serviços prestados pelo projeto.
Parceiros Institucionais  Câmara Municipal de Albufeira, União de Freguesias de Albufeira e Olhos de Água, Agrupamento de Escolas de Ferreiras e Escola EB 2, 3 Francisco Cabrita. Disponibilizam recursos, serviços e informações relevantes para a concretização do projeto através de canais de comunicação e investimento em infraestruturas/materiais. 
Colaboradores e voluntários Jovens voluntários do concelho de Albufeira que frequentam o ensino secundário/universidade e que fornecem suporte aos utentes durante os Programas de Férias e uma voluntária que os acompanha diariamente (ano letivo). Fornecem apoio direto aos utentes durante as atividades; organização, limpeza e arrumação dos materiais e equipamentos; acompanhamento dos utentes nas refeições, higiene e atividades externas.  
Principal Parceiro BPI Capacitar – Fundação “La Caixa”Apoio financeiro que possibilitou uma prestação de serviços mais efetiva, e consequentemente, a melhoria da qualidade de vida, ocupação e autonomia dos utentes do projeto.  

2.3 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

Os beneficiários diretos do projeto, incluem utentes e pais. O primeiro grupo é residente no concelho de Albufeira numa família nuclear, maioritariamente são do sexo masculino, com uma idade média de 11 anos e apresentam como interesses, movimento e música. Uma percentagem representativa revela dificuldades em interagir e socializar, manter a atenção e regular o comportamento.  

O segundo grupo pertence ao mesmo agregado e residência que o anterior, mas apresenta uma idade média de 38 anos e necessita de acompanhamento especializado diário para os seus filhos, de forma a exercer a sua atividade profissional.

Indiretos

Os beneficiários indiretos do projeto incluem a família alargada (irmãos, avós, tios e primos), educadores/professores e terapeutas do contexto escolar ou privado. Todos estes elementos têm um contacto frequente com os utentes, por esse motivo as aquisições ou aprendizagem adquiridas no projeto vão influenciar o seu desempenho nos demais contextos (familiar, escolar e social). Desse modo, ocorre uma ampliação dos resultados da iniciativa, o que resulta num maior impacto social. 

3 – Realizações

3.1 – Grupos de Atividades

As atividades são realizadas em sessões de grupo terapêutico, sendo integradas nos centros reabilitativos, Jardim Sensorial e Terapia Inclusiva. Nas sessões recorre-se a atividades/dinâmicas terapêuticas, de forma a desenvolver as competências dos utentes nas várias áreas do desenvolvimento: motora, percetiva, comunicação, cognição e autonomia. A intervenção junto da família e comunidade reflete-se em reuniões de acompanhamento e workshops. 

Grupo 1 – Atividades motoras servem para desenvolver planos de ação no meio ambiente, aumentar a consciência corporal e consolidar os movimentos precisos através da realização de exercícios que exijam movimentos de coordenação global e fina (saltar, lançar, transportar, correr, cortar, escrever), envolvem os utentes porque lhes permite que estabeleçam a interação com o meio através da exploração de vários materiais e equipamentos desportivos, tiveram como resultado a melhoria das competências ao nível do esquema corporal, planeamento motor e atividades da vida diária e contribuíram para o eixo B (Melhorar o estado global de saúde e qualidade de vida). 

Grupo 2 – Atividades cognitivas servem para desenvolver a capacidade de processamento da informação e convertê-la em conhecimento através de tarefas de perceção, atenção, memória e linguagem, envolvem os utentes porque lhes permite analisar as situações, relembrar e efetuar comparações com maior facilidade, tiveram como resultado a melhoria das aprendizagens académicas e uma participação mais efetiva nas diversas ocupações que fazem parte do seu dia – a- dia, contribuíram para o eixo C (Adequar o projeto de vida ao handicap). 

Grupo 3   – Atividades de comunicação e interação servem para simular situações do quotidiano, recriar acontecimentos e aumentar o reportório de sons e palavras através da utilização do jogo simbólico, envolvem os utentes porque lhes proporciona as oportunidades suficientes de decidir, planear e executar as suas ações nas rotinas diárias, tiveram como resultado uma maior capacidade de expressão, linguagem e reflexão acerca de sentimentos, ideias, relações, conflitos, regras sociais e negociações e contribuíram para o eixo A (Garantir a autonomia pessoal, a equidade e inclusão social).

Grupo 4 – Reuniões de acompanhamento servem para comunicar informações gerais do projeto, os objetivos terapêuticos, os resultados das avaliações, a apresentação dos planos de desenvolvimento e a passagem de estratégias aos cuidadores, envolvem os utentes porque os assuntos abordados estão intrinsecamente relacionados com a sua participação nas atividades do projeto, tiveram como resultado a capacitação dos vários intervenientes no processo terapêutico e contribuíram para o eixo D (Desenvolver um plano de intervenção familiar participativo). 

Grupo 5 – Workshops Sensoriais servem para conhecer o mundo que os rodeia através dos sentidos, superar desafios e partilhar momentos com os pares/família, envolvem os utentes porque lhes oferecem experiências sensoriais equilibradas através do contacto com as várias partes do corpo nas texturas e materiais, tiveram como resultado a estimulação da sua imaginação e criatividade num ambiente facilitador/seguro e contribuíram para o eixo F (Melhorar a qualidade de vida do agregado familiar).

Grupo 6 – Programas de Voluntariado servem para divulgar/debater os temas da inclusão, deficiência e desenvolvimento pessoal junto da comunidade escolar através de ações de sensibilização/formação, envolvem os utentes porque são o alvo destas iniciativas, tiveram como resultado a melhoria da qualidade do serviço prestado, ou seja, um apoio mais individualizado nos Programas de Férias e contribuíram para o eixo G (Promover a construção de um ecossistema corporativo inclusivo). 

3.2 – Tabela de Atividades

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
Atividades motoras Dinâmicas de coordenação bilateral, planeamento motor e grafomotricidade (3 horas).  Semanal 2497479
Atividades CognitivasExercícios de categorização, sequenciação, perceção e memória (2 horas)Semanal561129
Atividades de Comunicação e Interação Dinâmicas socioemocionais e jogos simbólicos (2 horas)Semanal 45909
Reuniões de acompanhamentoAtendimentos (1 hora)Trimestral10109
Workshops Sensoriais Sessões sensoriais(2 horas)Trimestral 367
Programa de Voluntariado Ações de sensibilização (1 hora)Pontual 4564

Centro de Apoio Terapêutico

ATIVIDADES

1 – Âmbito

1.1 – O Quê?

O CAT – Centro de Apoio Terapêutico continuou a desenvolver a sua atividade por uma equipa multidisciplinar ao nível da avaliação e intervenção terapêutica com crianças, adolescentes e adultos, de forma a promover o seu desenvolvimento, reabilitação, socialização, autonomia, maior integração na sociedade e qualidade de vida, através da atuação de um leque variado de áreas da saúde: Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Fisioterapia e Psicologia Clínica, que todas juntas numa só promovem uma Terapia Inclusiva. A Terapia Inclusiva realizada no CAT é uma terapia inovadora que agrega 4 Terapias numa só, aumentando o número de sessões e potenciando o desenvolvimento pessoal e terapêutico dos utentes. Assim, o corpo (Fisioterapia), a comunicação (Terapia da Fala), a mente (Psicologia) e os sentidos (Terapia Ocupacional) são intervenções juntas num só plano de intervenção que permitem um nível de desenvolvimento muito acima do potencial individual de cada uma. Relativamente aos Beneficiários, os objetivos de impacto social envolveram o aumento da autonomia pessoal para atingir a sua participação plena e ativa na sociedade, melhorar o estado global de saúde e a adequação de um projeto de vida para respeitar as potencialidades e necessidades de desenvolvimento dos mesmos. Ao longo do ano, foram realizadas reuniões de técnicos, com periodicidade mensal, para partilha de informações acerca dos utentes em acompanhamento terapêutico, bem como reuniões com as equipas de terapeutas da Câmara Municipal de Albufeira e os Agrupamentos de Escolas de Albufeira, para debater informação sobre alguns utentes seguidos no CAT, para ser possível delinear estratégias de melhoria das suas competências e comportamento.  No CAT, o trabalho desenvolvido não se focou somente aos utentes, existindo também uma interação regular com as famílias. Em relação a estas, os objetivos atingidos foram: desenvolver um plano de intervenção familiar participativo que contribuiu para o desenvolvimento das competências do núcleo familiar; aumento da aposta no empoderamento dos pais e cuidadores para uma maior capacidade de resposta aos desafios sociais diários; e a melhoria a qualidade de vida do agregado familiar. Por outro lado, o CAT continuou a centrar a sua abordagem na elaboração dos Planos de Desenvolvimento Individual dos utentes, monitorizou os resultados obtidos nas intervenções terapêuticas e promoveu reuniões individuais com os pais para comunicar os objetivos alcançados.  No âmbito da comunidade, foi possível promover a sensibilização para as questões das pessoas com deficiência, fomentando a importância da inclusão social.

1.2 – Porquê?

De acordo com o Relatório de Diagnóstico Social de Albufeira 2013, foi possível verificar uma insuficiência de equipamentos e serviços de saúde destinados à deficiência, revelando assim a necessidade da existência de um centro reabilitativo que pudesse dar respostas na área da saúde à comunidade. Assim, com base neste relatório de diagnóstico social, realizado nesta região, o projeto constituiu-se uma resposta estruturada de auxílio à população que oferece um serviço de saúde especializado e inclusivo. No Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados de Saúde (2015), realizado pela ARS – Administração Regional de Saúde do Algarve, verificou-se que esta região tem sido fortemente atingida pela crise social e económica, e por essa razão os cuidados de saúde têm sido fortemente negligenciados, nomeadamente na área da deficiência. Por esta razão, o CAT foi desenvolvido para poder ser uma mais-valia para a comunidade, uma vez que é global, concertado, potencia recursos e parte da realidade existente para o futuro, no qual o resultado será sempre superior à soma das partes. Portanto, é um exemplo que deve ser partilhado e sublinhado a nível nacional, contribuindo para uma região mais justa, mais coesa, mais igual, sempre acreditando na população. Sousa, M. (2014), num estudo realizado, concluiu que existem grandes necessidades em Portugal ao nível dos serviços de apoio comunitário e de saúde para apoio às famílias de pessoas com deficiência e de grupos vulneráveis. Neste sentido, a importância deste projeto centrou-se essencialmente nos utentes, contribuindo para o seu desenvolvimento, saúde e qualidade de vida. Este projeto estendeu-se também às famílias, realçando o facto de estas serem unânimes nos benefícios que o CAT tem nos seus filhos e consequentemente na dinâmica familiar. Na comunidade, através do CAT passou a ser possível encontrar no Algarve um centro que disponha de várias abordagens terapêuticas que culminam numa terapia inclusiva mais eficaz para os seus beneficiários. 

1.3 – Como?

O CAT desenvolveu várias atividades que foram ao encontro do que estava estabelecido no Plano Estratégico de Atividades da Apexa. Neste sentido, foram realizadas: sessões terapêuticas individuais com os utentes; prevenção de comportamentos desviantes; desenvolvimento de competências socioemocionais; oficinas lúdicas e pedagógicas; elaboração de relatórios de avaliação; desenvolvimento de competências; e ações de sensibilização. Para além destas atividades, foram desenvolvidas outras (rastreios gratuitos) alusivas às comemorações dos dias mundiais das várias áreas de saúde: Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Fisioterapia e Psicologia Clínica, bem como a realização de encontros de pais com vista à aquisição de novas competências parentais. Ao longo do ano, foram realizadas reuniões de técnicos da equipa multidisciplinar, bem como reuniões com as equipas de terapeutas da Câmara Municipal de Albufeira e os Agrupamentos de Escolas de Albufeira. Por outro lado, este projeto centrou a sua abordagem na elaboração dos Planos de Desenvolvimento Individual dos seus utentes, monitorizou os resultados obtidos nas intervenções terapêuticas, promoveu reuniões de pais para partilha de informações e o aconselhamento parental e aos cuidadores, desenvolveu atividades para desmistificação de auto-preconceitos, de atividades ligadas à criatividade e ao desenvolvimento da arte, utilização da sala de Snoezelen para estimulação sensorial, entre tantas outras atividades de descoberta de si próprio.

2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

O CAT procurou assumir-se conscientemente como um espaço terapêutico inovador, inclusivo e uma mais-valia para todos aqueles que dele beneficiam. Neste processo foi crucial identificar e envolver as mais diversas partes interessadas (stakeholders) com o fim de recolher as suas contribuições na realização do projeto e assim com ele se identificarem. Assim, todos os stakeholders são importantes para o projeto, na medida em que a sua ação multidisciplinar permite uma taxa de sucesso e um incremento na qualidade de vida dos beneficiários.

Utentes A – Crianças e Jovens (7 aos 17 anos) – destinatários do projeto, deverão ser capazes de desenvolver novas competências ao nível da sua capacidade física e motora, cognitiva, sensorial e emocional, bem como a aquisição de competências que promovam o seu desenvolvimento, reabilitação, socialização, autonomia, maior integração na sociedade e qualidade de vida. Por outro lado, também são destinatários os utentes que apresentam um atraso global no desenvolvimento e que ainda não atingiram as competências necessárias e esperadas para a sua faixa etária nas várias áreas do seu desenvolvimento.

Utentes B – Adultos (18 aos 56 anos) – destinatários do projeto que apresentam deficiências múltiplas, défices cognitivos, um funcionamento intelectual abaixo da média, que é suficientemente grave para limitar a sua capacidade de lidar com uma ou mais áreas da vida diária normal ao ponto de precisarem de apoio continuado, manifestando alterações e dificuldades em várias áreas do domínio cognitivo: memória, leitura, escrita e matemática, consciência dos pensamentos e sentimentos de outras pessoas, habilidades interpessoais e julgamento social, cuidados pessoais, organização de tarefas (de trabalho e académicas), administração do dinheiro e saúde e segurança, entre outros. Por outro lado, também são destinatários os utentes que apresentam perturbação mental, nomeadamente a presença de sintomas de natureza psicológica, comportamental e emocional, que possam causar problemas emocionais e dificuldades no desenvolvimento, onde o objetivo principal é a promoção do desenvolvimento e bem-estar geral das pessoas e seus familiares, assegurando a sua saúde mental e a melhoria da qualidade de vida.

Familiares/Tutores – principais encarregados de educação, ou cuidadores, com quem os utentes residem e/ou têm um contacto relacional/familiar mais próximo, que participam de forma ativa nos processos de intervenção terapêutica dos seus beneficiários, de forma a adquirirem competências parentais, aconselhamento parental e estratégias para conseguirem lidar de melhor forma com as limitações dos utentes.

Equipa Técnica – Técnicos de Saúde que compõem a equipa multidisciplinar nas áreas de: Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Fisioterapia e Psicologia Clínica, que contribuem com ação direta na melhoria do estado global de saúde dos utentes e seus familiares e na qualidade de vida dos mesmos. Estes profissionais têm a responsabilidade de planear/dinamizar todas as atividades acima descritas, fornecer o acompanhamento terapêutico dos utentes, realizar avaliações/planos de desenvolvimento, capacitar/formar as famílias, realizar encontros de pais para aquisição de competências parentais e envolvê-los nas terapias e desenvolver ações de sensibilização na comunidade.

Padrinhos – Entidades Públicas ou Privadas que contribuem com apoio monetário, ou outros recursos, de forma a promover apoio aos utentes/famílias, para que as famílias mais vulneráveis possam beneficiar dos serviços de saúde prestados pelo projeto. 

Principal Parceiro – Câmara Municipal de Albufeira apresenta-se como um parceiro essencial para a concretização do projeto, constituindo-se fulcral para a realização das atividades levadas a cabo, contribuindo para o bem-estar e qualidade de vida de todos os utentes e suas famílias, permitindo a continuidade da implementação na área da saúde que o projeto abrange. 

Parceiros Institucionais – Centros de Saúde, Agrupamentos de Escolas de Albufeira são uma mais-valia para o desenvolvimento do projeto, constituindo-se como entidades detentoras de conhecimentos e intervenções específicas, capazes de operacionalizar o apoio alargado aos beneficiários e suas famílias. 

Parceiros Sociais (Patrocinadores) – Juntas de Freguesia, Rotary Club, revelam-se como patrocinadores que contribuem por afinidade e não pelo retorno, tornando-se elementos essenciais que também contribuem para a concretização do projeto, permitindo com a sua associação um benefício generalizado em todos aqueles que dele beneficiam, evidenciando o seu contributo de responsabilidade social.

Outros Familiares e Amigos – Pessoas que fazem parte da rede social de suporte dos beneficiários e que através da relação com os mesmos, podem beneficiar e validar os sucessos das mudanças em curso, bem como pessoas voluntárias que estão em contato direto com os beneficiários, tendo um papel importante na implementação do paradigma do projeto.

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupos de StakeholdersSegmentosCaracterizaçãoRelação com o Projeto
UtentesCrianças e JovensUtentes com idades entre os 7 e os 17 anos com frequência semanal nas terapias/atividades individuaisBeneficiaram de acompanhamento terapêutico semanal, permitindo desenvolver competências (físicas, motoras, comportamentais, posturais, sensoriais, comucacionais e emocionais) que não possuíam para a sua faixa etária e ganharam uma maior capacidade de lidar com uma ou mais áreas da vida diária, facilitando as áreas cognitivas: memória, leitura, escrita e matemática, habilidades interpessoais, julgamento social, cuidados pessoais e organização de tarefas.
 AdultosUtentes com idades entre os 18 e os 56 anos com frequência semanal nas terapias/atividades individuaisBeneficiaram de acompanhamento terapêutico semanal, permitindo desenvolver competências (motoras, cognitivas, emocionais, sensoriais, comportamentais, físicas, posturais e comunicacionais) e o seu bem-estar pessoal e dos seus familiares, assegurando a sua saúde mental e a sua inclusão na sociedade.
Familiares/Tutores Pais, Encarregados de Educação e/ou Cuidadores, residentes maioritariamente no Concelho de Albufeira, com idades entre os 28 e os 56 anosReceberam ações de capacitação para o exercício consciente, eficaz e consistente enquanto elementos que participam de forma ativa nas intervenções terapêuticas.
EquipaTécnica Equipa Técnica Superior, jovem, com idades entre os 26 e os 40 anos, com especializações nas áreas de saúde: Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Fisioterapia e Psicologia ClínicaContribuíram para a melhoria do estado global de saúde dos utentes e seus familiares e na qualidade de vida dos mesmos. Desenvolveram sessões terapêuticas individuais com os utentes; desenvolvimento de competências; elaboração de relatórios de avaliação; ações de sensibilização; rastreios gratuitos; encontros de pais; aconselhamento parental; reuniões de técnicos; elaboração dos Planos de Desenvolvimento Individual; monitorização dos resultados obtidos nas intervenções terapêuticas; e a utilização da sala de Snoezelen para estimulação sensorial; entre outras atividades de descoberta de si próprio.
Padrinhos Grupo constituído por pessoas ou Entidades Públicas ou PrivadasPessoas que contribuíram de forma direta e indireta, através de apoio monetário ou outros recursos, para a concretização do projeto.
Principal Parceiro Câmara Municipal de Albufeira é um parceiro essencial para a concretização do projetoParceiro fulcral para a realização das atividades levadas a cabo pelo projeto.
Parceiros Institucionais Centro de Saúde de Albufeira, Loulé, Silves e Lagoa; Agrupamentos de Escolas de Albufeira (Escola Dr. Francisco Cabrita); Agrupamentos de Escolas de Ferreiras (EB1; EB 2,3); Jardins de Infância (Vale Carros, Correeira, Paderne)São uma mais-valia para o desenvolvimento do projeto, constituindo-se como entidades detentoras de conhecimentos e intervenções específicas, capazes de operacionalizar o apoio alargado aos beneficiários e suas famílias. Disponibilizam recursos, serviços, informações relevantes para concretização e comunicação do projeto.
Parceiros Sociais (Patrocinadores) Co Financiadores da atividade do projeto (Juntas de Freguesia, Rotary Club)Doam recursos financeiros, materiais ou equipamentos ao projeto para o seu funcionamento. Recebem informação sobre as atividades, resultados e impactos do projeto.
Outros Familiares e Amigos Pessoas que influenciam e são influenciados indiretamente pelos beneficiários diretos do projeto Sem relação direta, mas beneficiando das competências sociais adquiridas no projeto pelos beneficiários (irmãos, primos, amigos, voluntários, etc.).

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

O CAT – Centro de Apoio Terapêutico é um projeto formulado em relação a beneficiários diretos (utentes e pais/cuidadores). Assim, os utentes deste projeto são pessoas com deficiência, com idades compreendidas entre os 7 e os 56 anos, que apresentam vários tipos de deficiência (física, motora, mental), atraso global do desenvolvimento, défices cognitivos e perturbação psicológica, perfazendo um total de 49 utentes (30 do sexo masculino e 19 do sexo feminino). Os utentes residem maioritariamente no Concelho de Albufeira, com os seus pais e/ou cuidadores. Uma percentagem significativa destes utentes revela dificuldades físicas, motoras, cognitivas, sensoriais, comportamentais, comunicacionais e emocionais, com alterações na sua capacidade de autonomia e de interação social. Relativamente aos pais/cuidadores, estes pertencem ao mesmo agregado familiar e residência, apresentam idades compreendidas entre os 28 e os 56 anos e revelam necessidade de aquisição de estratégias parentais e aconselhamento parental.

Indiretos

O CAT- Centro de Apoio Terapêutico é um projeto formulado em relação a beneficiários diretos, contudo também produz impactos positivos em outras pessoas, identificadas como beneficiários indiretos, entre eles: irmãos, avós, tios e outros elementos do mesmo agregado familiar que vivam na mesma casa, professores e técnicos de outras entidades que auxiliam no apoio aos utentes. Assim, é possível contabilizar que os abrangidos por este projeto perfazem um total de 265 beneficiários indiretos. Todos estes elementos têm um contato frequente com os utentes, por isso vão influenciar o desempenho dos utentes nos demais contextos (familiar, escolar e social).

3 – Realizações

3.1 – Grupos de Atividades

O CAT – Centro de Apoio Terapêutico procurou ao longo do ano continuar a atuar em alguns eixos de impacto social estabelecidos no Plano Estratégico de Atividades e por isso definiu 2 grupos de atividades no sentido de ir ao encontro das necessidades dos seus utentes, famílias e comunidade:

Grupo 1 – Atividades Individuais – Servem para a melhoria efetiva e comprovada do estado global de saúde, envolvendo todos os utentes que evidenciam a necessidade de intervenção terapêutica, para melhorar ou manter o funcionamento das funções cognitivas – atenção, concentração, percepção visual, memória, raciocínio lógico e abstrato, linguagem, funções executivas – onde a diminuição do impacto dos problemas cognitivos no quotidiano promove a sua funcionalidade, para a aquisição de novos conhecimentos, domínio de novas habilidades e capacidades, para lidar de melhor forma com as situações do quotidiano e para uma melhor capacitação para a resolução de problemas, envolvendo todos os utentes que evidenciam a necessidade de desenvolvimento de novas competências (sociais, relacionais, emocionais, motoras), promovendo melhorias significativas ao nível da capacitação pessoal e aquisição de novas competências, tendo como resultado melhorias significativas ao nível do desenvolvimento, reabilitação, socialização, autonomia, maior integração na sociedade e qualidade de vida, contribuindo para os eixos B e C de impacto social da Apexa.

Grupo 2 – Atividades de Grupo – Servem para a estimulação sensorial através da realização de sessões terapêuticas em grupo, partilha de informação com os pais e/ou cuidadores dos utentes abrangidos pelo projeto, para promover a melhoria da relação entre pais e filhos, num ambiente de suporte para que estes possam adquirir estratégias e ferramentas para exercer as suas competências parentais de forma mais eficaz, significativa e harmoniosa. Estas atividades para além de envolverem os pais e/ou cuidadores que evidenciam a necessidade de intervenção parental, tendo como resultado o aumento da qualificação das competências parentais e a melhoria da qualidade de vida do agregado familiar, contribuindo para o eixo E de impacto social da Apexa, também envolvem outras atividades realizadas em grupo (reuniões de técnicos e reuniões de parceiros).

2.2 – Tabela de Atividades

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNºAtividadesNº de HorasNº deBeneficiários
Atividades IndividuaisTerapias Individuais(1 Hora)Semanal93293249
 Estimulação Cognitiva: Gincana Cognitiva(2 horas)Mensal204020
 Estimulação Cognitiva: Atenção e Concentração(1 hora)Semanal 808032
 Estimulação Cognitiva: Percepção Visual(1 hora)Semanal 202024
 Estimulação Cognitiva: Memória(2 horas)Semanal 6012026
 Estimulação Cognitiva: Raciocínio Lógico e Abstracto(1 hora)Semanal 404038
 Estimulação Cognitiva: Linguagem(1 hora)Semanal 808032
 Estimulação Cognitiva: Funções Executivas(2 horas)Semanal 5110224
 Desenvolvimento de Competências (Emocionais, Comportamentais, Relacionais, Sociais, Motoras, Autonomia)(1 hora)Semanal 58158141
 Aconselhamento Parental(1 hora)Trimestral4438
 Elaboração de Plano de Desenvolvimento Individual (PDI)Semestral404040
 Avaliações Terapêuticas(1 hora)Semestral404040
 Rastreios Gratuitos(1 hora)Semestral2225
Atividades de GrupoSessões Sensoriais(1 hora)Trimestral4410
 Reuniões de Pais(1 hora)Semestral2225
 Reuniões de Técnicos(1 hora)Mensal1212 
 Reuniões com Parceiros(1 hora)Mensal121215