APEXA Educação

Pescador de Sonhos

ATIVIDADES

1 – Âmbito

1.1 – O Quê?

O projeto Pescador de Sonhos atuou junto de crianças/jovens e respetivas famílias. Os objetivos a que o projeto se propôs passaram pela promoção do sucesso escolar, pela prevenção do abandono escolar, pelo combate à exclusão social, pelo desenvolvimento de competências sociais e emocionais e pelo envolvimento das famílias, escolas e comunidades. O impacto social gerado abrangeu três públicos-alvo. No que diz respeito aos beneficiários o projeto procurou garantir a autonomia pessoal, a equidade e inclusão social de cada criança e jovem, através do aumento do aproveitamento e sucesso escolar; melhorar o estado global de saúde e qualidade de vida, pela intervenção no desenvolvimento de competências socio-emocionais e adequar o projeto de vida ao handicap, por meio da criação de um Plano de Desenvolvimento Individual. No que se refere às Famílias, foi desenvolvido um Plano de Intervenção Familiar Participativo, com base na promoção do envolvimento entre pais e filhos; aumentar a qualificação territorial pelas competências dos pais e cuidadores, através da realização de ações de sensibilização e melhorar a qualidade de vida do agregado familiar, pela participação das famílias nas atividades. Relativamente à comunidade, o projeto tencionou promover a construção de um ecossistema corporativo inclusivo, pela via da angariação de novos parceiros; aumentar o nível de sensibilização e formação na comunidade, através de reuniões com os agrupamentos das diferentes escolas e reforçar o reconhecimento da inclusão social enquanto direito fundamental, pela via de dinamização de workshops em âmbito escolar. Quanto às dificuldades sentidas, o ensino à distância foi o maior desafio enfrentado, devido à baixa literacia digital de algumas famílias, que impossibilitou o apoio necessário aos alunos que se encontravam em casa, e ao aumento das tarefas escolares solicitadas pelas escolas. Além disso, outras dificuldades sentidas foram a gestão de tempo e de utentes, associado a todo o trabalho inerente à participação de cada criança no projeto. 

1.2 – Porquê?

Albufeira é um dos concelhos da região Algarvia com maior número de população residente, tendo a população estrangeira acompanhado este aumento no decorrer dos anos. No ano de 2021, o projeto apoiou crianças/jovens e respetivas famílias das mais variadas nacionalidades, entre elas, Portugal (21%) Brasil (20%), Ucrânia (19%), Rússia (3%), Cabo Verde (7%), Moldávia (7%), Moçambique (3%), Angola (7%), Guiné-Bissau (7%), India (3%) e Paquistão (3%). Algumas das famílias, encontram-se em situação de vulnerabilidade social, devido à precariedade laboral do concelho de Albufeira, assim como, aos baixos salários que possuem. O destino que outrora foi sinónimo de uma melhor qualidade de vida, no ano de 2021 apresentou uma fraca empregabilidade e oferta de baixos salários. Outro fator que contribuiu negativamente para os níveis de desemprego, foi a pandemia, que até aos dias de hoje, ainda se mantém. A maioria das crianças/jovens apoiados, pertencem a famílias imigrantes com algumas dificuldades ao nível da comunicação. As baixas qualificações, ou em alguns casos, a dificuldade de acesso à equivalência de cursos realizados nos seus países de origem, foram outros dos entraves denotados, impedindo-as do acesso a outro tipo de oportunidades. Um dos efeitos mais reconhecidos da pobreza nas crianças é na educação, uma vez que esta representa o veículo mais importante de mobilidade social. A dificuldade de aprendizagem da língua portuguesa, que algumas crianças apresentam, aliado à impossibilidade de acompanhamento por parte dos pais (baixa escolaridade e barreira linguística), são fatores que influenciam o sucesso escolar. 

Os comportamentos de risco são outro dos fatores que afetam negativamente o percurso de vida de qualquer criança ou jovem. A falta de supervisão parental poderá conduzir à delinquência juvenil e ao aumento do risco de consumo de drogas e álcool. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna de 2020, embora tenha sido registado uma diminuição dos crimes respeitantes à criminalidade juvenil (devido aos confinamentos originados pela pandemia), no ano de 2019 Albufeira encontrava-se em segundo lugar no que diz respeito à criminalidade na região do Algarve. Neste sentido, importa não só sensibilizar as famílias, como também desenvolver um trabalho de prevenção de comportamentos de risco com as crianças e jovens apoiados.  

1.3 – Como?

No ano de 2021, o projeto centrou o seu trabalho na promoção de atividades direcionadas a crianças e jovens, com as quais foram realizadas sessões diárias de apoio ao estudo, com o objetivo de aumentar o seu aproveitamento escolar, atividades lúdico-pedagógicas e atividades socio-emocionais, com o intuito de capacitação ao nível social e emocional.

Foram também dinamizadas ações de sensibilização com as famílias, com o objetivo de capacitar e sensibilizar os pais face aos seguintes temas: perigos associados ao verão e perigos associados à utilização da internet e redes sociais. Uma vez que algumas das famílias ainda não se encontram integradas nos hábitos/cultura de Portugal, foi identificada a necessidade de alertar os pais, para os perigos que o sol podia provocar nas suas vidas e nas dos seus filhos. Além disso, a inapropriada utilização da internet e redes sociais pelas crianças/jovens, aliada à falta de supervisão dos pais, foi outra das necessidades verificadas em algumas famílias. Foi realizado ainda, uma atividade abrangente a toda a família, com o objetivo de envolver pais e filhos, de modo a reforçar os seus laços vinculativos e a criar uma relação mais próxima com o projeto. 

Quanto ao trabalho realizado com a comunidade, o principal foco do projeto foi comunidade escolar, tendo sido desenvolvido um trabalho de capacitação de alunos de duas escolas de Albufeira, com distintas nacionalidades/descendências e de etnia cigana. Foram realizados dois workshops (exclusão social e competências socio-emocionais) consoante as necessidades identificadas pelas escolas. Foi realizada ainda, uma ação de divulgação do projeto, com o propósito de dar a conhecer o seu trabalho, já que os seus principais objetivos, dão resposta às problemáticas mais recorrentes no concelho de Albufeira, em contexto escolar, nomeadamente, o abandono escolar e a exclusão social.

2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

O projeto Pescador de Sonhos envolve uma pluralidade de pessoas, entidades e parceiros, que se identificam com a sua missão. Cada um dos seus stakeholders representa uma “fração” essencial àquilo que é o projeto. Sem o seu contributo, a existência do mesmo não corresponderia à realidade e o auxílio prestado no ano de 2021, não teria chegado a tantas famílias. A importância do envolvimento destes elementos e os resultados alcançados, são a melhor forma de apresentar a verdadeira mudança, assim como, a sua necessidade de continuidade. 

Utentes – São os principais destinatários do projeto, tendo sido o primeiro público-alvo em quem o projeto centrou a sua atividade. Com uma perspetiva de futuro, a autonomia dos utentes, tem vindo a ser cada vez mais trabalhada, tornando-os mais preparados e independentes ao longo do seu percurso escolar, assim como, ao longo da sua vida. Acima de tudo, o projeto ambiciona proporcionar-lhes as ferramentas necessárias a um desenvolvimento informado, independente e inclusivo.

Familiares/Tutores – São as famílias das crianças e jovens acompanhadas, como pais, irmãos, padrastos/madrastas, tios, avós e cuidadores ou tutores. Por serem a base de desenvolvimento destas crianças e jovens, o trabalho que é desenvolvido diariamente com estes, só ganha real sentido e mudança nas suas vidas, se envolver as suas famílias. Além disso, as famílias por contactarem mais tempo com os seus filhos, acabam por identificar algumas necessidades que direcionam o trabalho desenvolvido pelo projeto. A importância de uma família presente e atenta ao desenvolvimento dos seus filhos, resultará num adulto confiante, autónomo e totalmente preparado para a vida adulta.

Equipa Técnica – A equipa tem desempenhado um papel mediador entre as escolas e as famílias, acompanhando o processo educativo de cada criança e identificando as necessidades a serem trabalhadas. O papel de complemento que projeto possui, ao trabalho que é desenvolvido pelas escolas, possibilita a continuidade da aprendizagem iniciada em meio escolar, assim como, um apoio mais individualizado a cada uma das crianças. No seguimento deste apoio, é também concedido acompanhamento individual a algumas famílias, que se encontram mais desamparadas e carecem de uma rede de suporte. 

Sócios/Padrinhos – O projeto contou com o apoio de um grupo de padrinhos/mecenas, comunidade de nacionalidade sueca, residente em Albufeira, que apoiaram financeiramente a aquisição de novo mobiliário (cadeiras, mesas, estantes e armários), materiais necessários ao bom funcionamento do projeto. Este feito, possibilitou o acompanhamento de um maior número de crianças e jovens.

Principal Parceiro – A Câmara Municipal de Albufeira é o principal parceiro do projeto, dando apoio ao nível de recursos físicos, nomeadamente, na cedência do espaço físico onde decorre o projeto. Além disso, tem também um papel fundamental na divulgação do trabalho que é dinamizado pela APEXA.

Parceiros Institucionais – De diferentes formas, os parceiros institucionais apoiaram o projeto na concretização do trabalho a que este se propôs no ano de 2021. A prestação deste apoio, decorreu através de parcerias e de formação especializada, que complementaram e aperfeiçoaram o trabalho diariamente desenvolvido.

Parceiros Sociais – O apoio financeiro e material, concedido pelos parceiros sociais foi crucial na intervenção do projeto, possibilitando a diversificação de atividades aos seus utentes e melhorando o conforto do espaço, em benefício dos utentes apoiados e dos técnicos do projeto, através do financiamento de recursos materiais.

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Grupos de Stakeholders Segmentos Caracterização Relação com o Projeto 
BeneficiáriosUtentesCrianças/jovens dos 6 aos 18 anos, com diferentes nacionalidades/ descendências. Frequentam as escolas de Albufeira e residem maioritariamente em Albufeira.Receberam acompanhamento escolar diário e capacitação ao nível de competências socio-emocionais e socioeducativas
 Familiares/TutoresFamílias em situação de desfavorecimento social, com diferentes/nacionalidades,maioritariamente residentes em Albufeira.Receberam capacitação em distintos temas, apoio no percurso escolar dos seus filhos e auxílio na resolução de necessidades familiares. 
 Comunidade escolarAlunos de diferentes nacionalidades e descendências, de etnia cigana do 5º, 6º, 7º e 8º ano.  Receberam capacitação na área da exclusão social e competências socio-emocionais.
Equipa Técnica 1 Educadora Social, 1 Professora de 1º ciclo, 1 Terapeuta da Fala e 1 Psicóloga Educacional.Acompanhamento de utentes, das suas famílias e interação com a comunidade. 
MecenasSócios/PadrinhosGrupo de Mecenas, comunidade de nacionalidade sueca, residente em Albufeira.Apoio financeiro na aquisição de recursos materiais (mobiliário).
 Grupo de associadosFamílias apoiadas pelo projeto que se tornaram sóciasBenefícios de associados através da sua participação no projeto e dos seus filhos.
ParceirosPrincipal ParceiroCâmara Municipal de AlbufeiraApoio ao nível de recursos físicos e suporte financeiro.
 Parceiros Institucionais Escolas do Município de Albufeira  Articulação de informações escolares acerca das crianças apoiadas; parceria realizada no âmbito dos workshops de exclusão social e competências socio-emocionais.
  GNR de AlbufeiraEntidade disponível, sempre que necessário, para estabelecimento de parceria no âmbito de ações de sensibilização.
  EAPN – Rede Europeia Anti Pobreza (parceria estabelecida anualmente) Parceria realizada no âmbito da comemoração da semana da interculturalidade.
  Stone Soup – empresa social de consultoria estratégicaMediação de impacto social do projeto e formação de técnicos para medição de impacto de projetos sociais.
 Parceiros Sociais    REN – Redes Energéticas Nacionais AGIR Prémio Ren’19 – apoio financeiro ao projeto.
  União de freguesias de Albufeira e Olhos de ÁguaApoio financeiro na aquisição de recursos materiais (ar condicionados) e outros recursos logísticos.

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

Os beneficiários diretos do projeto são crianças/jovens e as suas famílias. Na sua maioria, residem no concelho de Albufeira, sendo que apenas uma das famílias apoiadas, reside no concelho de Silves. Estas famílias, provêm de contextos familiares e sociais mais vulneráveis e revelam dificuldades de integração social. Quanto às suas necessidades, estas relacionam-se essencialmente com a compreensão da língua, com a candidatura a novos empregos/ construção de um currículo profissional, com o preenchimento de alguns documentos e com a procura de nova habitação. Outros dos beneficiários diretos, são os alunos participantes nos workshops (âmbito escolar). São crianças/jovens, maioritariamente de diferentes nacionalidades e descendências, e de etnia cigana. 

Indiretos

Os beneficiários indiretos do projeto são os irmãos (28), os tios (4), os avós (6) e um amigo das famílias que partilha a mesma casa. 60% dos agregados familiares, além da criança/jovem apoiada pelo projeto, possuí mais 1 ou 2 filhos, sendo estes beneficiários indiretos. E, 2% dos agregados familiares partilha a mesma casa com amigos. Além disso, os professores (cerca de 250 professores), diretores de turma (37) , coordenadores de agrupamento de escolas (3) e colegas de turma (336) são também considerados beneficiários indiretos uma vez que têm contacto com as crianças e jovens acompanhas pelo projeto.  

3 – Realizações

3.1 – Grupos de Atividades

Grupo 1 

O apoio ao estudo serviu de acompanhamento diário à realização de trabalhos de casa, assim como à preparação para os testes/fichas de avaliação. Quanto aos seus resultados, houve uma percentagem de 93% de sucesso escolar, tendo havido apenas 2 reprovações. Os momentos lúdico-pedagógicos de grupo consistiram em dois tipos de atividades, as atividades lúdico-pedagógicas e atividades socio-emocionais. As atividades lúdico-pedagógicas serviram para estimular o espírito crítico, aprender de uma forma lúdica diversos temas e comemorar datas festivas. As atividades socio-emocionais desenvolveram as capacidades emocionais, sociais e de interação com os pares. Quanto aos seus resultados, verificou-se uma melhoria ao nível da interação, assim como, uma maior facilidade na resolução de problemas. Quer o apoio ao estudo, quer as atividades desenvolvidas, contribuíram para o eixo de impacto social “Garantir a autonomia pessoal, a equidade e inclusão social de pessoas em situação de desfavorecimento social”.

Grupo 2 

As ações de sensibilização direcionadas às famílias, serviram para trabalhar a capacitação e sensibilização face às temáticas dos perigos associados ao verão e dos perigos na utilização da internet e redes sociais. O Peddy Paper Familiar ao envolver pais e filhos, serviu para fomentar a participação dos pais na vida dos seus filhos e para criar uma relação mais próxima com o projeto. Foi notório o envolvimento das famílias de atividade para atividade, através de um aumento de participações, evidenciando o seu interesse nos temas abordados. Estas atividades contribuíram para o eixo de impacto social “Desenvolver um plano de intervenção familiar participativo”.

Grupo 3

A interação com a comunidade escolar serviu não só para trabalhar a capacitação de alunos, como também para divulgar o trabalho realizado pelo projeto, em âmbito escolar. Quanto aos seus resultados, estes assentaram essencialmente no aumento de competências socio-emocionais dos alunos, sendo capazes de possuir um melhor entendimento das suas emoções, assim como uma maior sensibilização para a exclusão social. Estas atividades contruíram para o eixo de impacto social “Reconhecer a inclusão social enquanto direito fundamental”. 

3.2 – Tabela de Atividades

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
Grupo 1 Apoio ao estudoDiária17689148
 Atividades lúdico-pedagógicas com distintas temáticasSemanal (durante o ano letivo) Diário (durante os períodos de pausas letivas) 127 254  48
 Atividades socio-emocionais com distintas temáticas Trimestral 4 6 48
Grupo 2Ação de Sensibilização -Perigos associados ao verão   Pontual  1  2  4
 Ação de Sensibilização – Perigos associados à internet e redes sociais  Pontual 1 2 13
 Peddy Paper Familiar Pontual 2 2 16
Grupo 3Workshop sobre a Exclusão SocialPontual4467
 Workshop de Competências socio-emocionaisPontual2210
 Ação de divulgação do projeto Pescador de SonhosPontual1150

Lacus

ATIVIDADES

1 – Âmbito

1.1 – O Quê?

No nosso país a maioria das respostas sociais para adultos portadores de deficiência têm-se centrado em Centros de Atividades Ocupacionais. E apenas (muito) recentemente foi reconhecida pelos órgãos governamentais a necessidade de criar uma resposta mais focada na inclusão em deterioramento da estagnação que estes Centros promoviam. Tudo indica que a promoção desta transformação assistida em 2021 visa combater essa estagnação. No entanto, o projeto Lacus já se assume desde a sua génese em 2019 como visionário e ambicioso no sentido em que assenta a sua visão num paradigma mais inclusivo, virado para a capacitação do utente nas suas diferentes facetas e atuando nos diferentes contextos em que este se insere, e contribuir também para a capacitação da própria comunidade, uma vez que o caminho para a verdadeira inclusão ainda é longo. 

No decorrer do ano de 2021 o projeto Lacus continuou o seu caminho com uma abordagem de educação integral e holística, mas também inovadora. Oferecendo aos utentes uma resposta onde se trabalha diversas dimensões do ser, como por exemplo o lado emocional, cognitivo, comportamental, físico, social, comunicacional, artístico e espiritual (não se referindo a questões religiosas, mas pela procura de uma vivência de amor, paz e harmonia). O projeto assume-se então como um espaço dinâmico, de empreendedorismo e capacitação pessoal, que almeja para cada um dos nossos utentes um aumento da autonomia pessoal, uma melhoria do estado global de saúde e um ajuste real do projeto de vida ao handicap.

                  O projeto Lacus adota uma perspetiva sistémica, reconhecendo a extrema importância da intervenção nos diferentes sistemas /contextos onde o utente se insere. Ao nível familiar, no ano de 2021, o Lacus procurou contribuir para uma melhoria da qualidade de vida do agregado familiar e para o aumento das competências dos pais. Num contexto mais alargado o nosso objetivo centrou-se na promoção do crescimento da sensibilização na comunidade. 

Como referido anteriormente o caminho para a verdadeira inclusão ainda é longo, e este é um dos nossos maiores desafios, contribuir para uma comunidade mais inclusiva, uma comunidade preparada para a integração profissional de pessoas com deficiência, uma sociedade que conheça a inclusão social enquanto direito fundamental. No ano de 2021 é quase inevitável falar da pandemia Covid-19, já que em menor ou maior escala nos afetou a todos nós, sendo que o projeto Lacus não foi exceção. Exigindo novas demandas e uma capacidade de adaptação à realidade vivida. Esta crise veio acentuar ainda mais o foço da inclusão, fazendo com que a comunidade fique ainda mais fechada sob o manto do “distanciamento social”.

A força que impulsiona o Lacus foi, é, e sempre será as pessoas. Um projeto assente nos mais nobres valores humanos que espelham a APEXA, que luta para que todos sejam incluídos e tenham direito a uma vida plena independentemente do seu handicap. É deste espírito humanista que o Lacus se alimenta.

1.2 – Porquê?

O projeto Lacus está situado na região do Algarve, distrito de Faro, na cidade e concelho de Lagoa.  Com 467.495 habitantes (censos de 2021), o Algarve é a quarta região do país com maior taxa de deficiência entre a sua população. Apesar de situado no concelho de Lagoa, o Lacus também dá resposta aos concelhos de Portimão e de Silves. Atualmente estes 3 concelhos conta com cerca de 117145 habitantes e estima-se que 3,9% sejam pessoas com deficiência. Parte destas pessoas encontra-se em situação de fragilidade económica e social, desemprego e/ou isolamento. Apesar da crescente preocupação do Município de Lagoa na integração socioprofissional e participação das pessoas com deficiência, detetamos neste campo uma grande lacuna, pois as empresas ainda não estão preparadas para acolher pessoas com deficiência nos seus quadros de pessoal. Assim sensibilizar as empresas para integrar estas pessoas é uma tarefa urgente e necessária. É também urgente retirar estas pessoas de casa, dotá-las de competências que lhes possam oferecer uma maior autonomia e qualidade de vida. Face a esta realidade, um dos principais problemas apontados pelo diagnóstico social da Câmara Municipal de Lagoa prende-se com o facto de o distrito de Faro apresentar poucas respostas destinadas às pessoas com deficiência e incapacidade.  No concelho de Lagoa esta resposta era inexistente, até à data da implementação da parceria com a APEXA, em 2019. Porém, uma vez que a procura é maior que a resposta oferecida, tornou-se imperativo e urgente que se continuem a criar e alargar mais respostas para esta população, uma vez que nos concelhos vizinhos (Portimão e Silves) também não encontram soluções suficientes. Das várias respostas e entidades identificadas no diagnóstico social de Lagoa de 2020, a Apexa é a única que se centra no apoio à deficiência, ficando assim em evidencia a sua extrema importância para este concelho. 

1.3 – Como?

Uma vez que o projeto Lacus adota um olhar multidimensional do individuo foram desenvolvidas diversas atividades com o intuito de abranger várias competências de forma a capacitá-los em diferentes áreas do desenvolvimento humano. No decorrer do ano de 2021 demos particular importância às atividades emocionais. Sentimos essa necessidade porque percebemos que muitos dos nossos utentes estão formatados por uma sociedade e sistema educativo pouco inclusivos, e muitas vezes castrador, que lhes corta a capacidade de sonhar e de se afirmarem enquanto SER, com vocações, desejos, e características únicas. Assim, foi feita uma forte aposta em atividades que potencializam o aumento da motivação e autoconfiança, pois cremos que esse é o ponto de partida para a capacitação do individuo. 

Sendo o Lacus um projeto relativamente recente, considerámos importante investir na divulgação do mesmo. Assim, realizámos algumas atividades com duplo propósito, por um lado divulgar o projeto e por outro sensibilizar a comunidade. Essas atividades tiveram sempre a participação dos utentes, pois envolvendo-os neste processo, consideramos que potenciamos uma ponte entre “nós” e a comunidade.

 2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

Sendo a APEXA uma Associação de Solidariedade Social, é a simbiose entre os seus stakeholders que determina e influencia o sucesso da mesma, nomeadamente do projeto Lacus, que nesta instituição se insere. Consideramos que é essencial identificar e envolver todas as partes interessadas, havendo um cuidado para que todos sejam beneficiados e tentando retirar sempre o melhor que cada um pode oferecer, de forma a contribuir para o sucesso do projeto. Assim sendo, existe a necessidade de saber quem são, especialmente para alinhar objetivos que vão de encontro às suas expetativas, trabalhando assim de forma alinhada:

Utentes – Principal público-alvo do projeto, pessoas com deficiência em idade adulta (19 aos 38 anos).  Onde o intuito foi desenvolver diversas competências que permitam progressivamente tornarem-se o mais autónomos possível, melhorar o estado global de saúde e conseguir uma integração ao nível social e profissional, fazendo um ajuste do projeto de vida ao handicap.

Familiares/Tutores – Suporte familiar dos utentes, responsável pelo processo educativo dos mesmos e principais interessados na aquisição de competências dos filhos que vão de encontro às suas necessidades, traduzindo-se na melhoria da qualidade de vida de ambos. São os principais detentores de informação relevante acerca dos utentes e que melhor conhecem as suas forças e fraquezas. Podem dar continuidade ao trabalho que é desenvolvido no projeto.  

Equipa Técnica – equipa do projeto Lacus, principal responsável pela intervenção com os utentes a nível reabilitativo, social e pedagógico. Responsáveis pelo planeamento, implementação e dinamização de atividades que vão ao encontro do plano de desenvolvimento individual feito para cada utente, de forma que os mesmos consigam adquirir e melhorar competências, propondo-se a atingir os objetivos definidos.

Sócios/Padrinhos – Não existe.

Principal Parceiro – O principal parceiro do Projeto Lacus é a Câmara Municipal de Lagoa, pois é a entidade externa que apoia mais o projeto em termos financeiros. Para além disso, é uma parceria que se tem demonstrado bastante ativa e presente, não só no apoio que tem sido concebido como nos convites para eventos. 

Parceiros Institucionais – Instituições que contribuem com o seu apoio e que têm interesse em trabalhar em conjunto, com vista à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Assente numa lógica de cooperação, entreajuda e transparência, são entidades que de certa forma se identificam com os valores e principais linhas orientadoras da APEXA, em prol da “Inclusão” no concelho de Lagoa.

Parceiros Sociais (Patrocinadores) – Entidades detentoras de conhecimentos e intervenções específicas que colaboram em conjunto com o projeto, contribuindo para que os utentes adquiram novos conhecimentos e vivenciem novas experiências, cooperando assim para a sua inclusão na comunidade.

Outros Familiares e Amigos– Não existe.

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupos de Stakeholders SegmentosCaracterização Relação com o Projeto 
UtentesAdultos com deficiênciaAdultos com deficiência com idades compreendidas entre os 19 e 38 anos.Acompanhamento diário onde foi realizada a promoção e capacitação em diversas competências.  
Familiares/TutoresPais e familiares diretos dos utentesFamílias nucleares, à exceção de dois utentes que residem num agregado monoparental. Contactos regulares e reuniões que promovem maior proximidade entre a equipa técnica e família. Valorização da tríade: utentes-família-projeto.
Equipa TécnicaProfissionais especializadosEquipa multidisciplinar:1 psicóloga educacional, 1 educadora social e 1 monitora.Planeamento, implementação e dinamização de atividades.
Principal ParceiroComunidadeCâmara Municipal de LagoaPrincipal patrocinador do projeto que contribui financeiramente para o decorrer do mesmo.
Parceiros Institucionais ComunidadeJuntas de freguesia do concelho de Lagoa: Estômbar, Lagoa e Carvoeiro, Parchal, Ferragudo e Porches.Disponibilizam recursos, serviços, informações relevantes para a concretização e comunicação do projeto.
Agrupamento ESPAMOLEntidade parceira na sinalização de alunos com deficiência.
Grupo Desportivo de LagoaEntidade parceira para o Desporto.
Ideias do LevanteEntidade parceira para as artes e cultura.
GNREntidade que cede recursos humanos e materiais para aulas de Hipoterapia.
Parceiros SociaisComunidadeEscola de artes de Lagoa Doam dinheiro, materiais ou visitas que contribuem para a vivência de novas experiências por parte dos utentes e aquisição de novas competências.
Rotary Club de Lagoa
Museu de ciência viva
Zoomarine

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

Durante o ano de 2021, o projeto Lacus apoiou 7 beneficiários diretos, 4 do género masculino e 3 do género feminino. As suas idades estão compreendidas entre os 18 e os 38 anos, porém, a média das idades corresponde a 24 anos. 80% dos beneficiários é residente no concelho de Lagoa, sendo que se distribuem pelas localidades de Lagoa, Porches, Parchal e Mexilhoeira da Carregação.  Os restantes 20% dividem-se entre os concelhos de Portimão e Silves. 

Os agregados familiares são compostos por famílias nucleares, à exceção de dois utentes que residem num agregado monoparental. De todos, apenas um utente não tem irmãos.  

No que concerne à caracterização das patologias estas são diversificadas e complexas de expor sucintamente, já que em alguns casos o mesmo utente apresenta várias patologias. No entanto, é possível verificar maior incidência nas perturbações do espectro do autismo (ligeiros). Outras deficiências remetem para a deficiência visual, deficiência intelectual, de desenvolvimento e motoras. No geral, trata-se de um grupo com algum grau de autonomia, e sem grandes limitações ao nível sensorial que reagem bem a diversas texturas, sons e outros estímulos. Trata-se de um grupo jovem, sociável e bem-disposto, adeptos de atividades dinâmicas.

Para além dos utentes em situações pontuais também intervimos diretamente com a família, como é o caso de algumas ações de sensibilização que foram feitas. Aqui intervimos então com o núcleo familiar dos nossos utentes contabilizando um total de 15 beneficiários.

Indiretos

Como beneficiários indiretos podemos caracterizar todos aqueles que beneficiaram e estiveram envolvidos com a nossa intervenção durante o ano de 2021. No geral, foram considerados os familiares que vivem no mesmo agregado que os utentes e alguns parceiros que se mantiveram ativos durante o decorrer do ano, tal como a G.N.R e a Escola de Artes de Lagoa. 

Assim sendo, os beneficiários indiretos do ano de 2021 corresponderam a um total de 32. Destes, 56% são do género masculino e 43% do género feminino. 

3 – Realizações

2.1 – Grupos de Atividades

No Lacus desenvolvemos atividades variadas não só para proporcionar bem-estar e promover qualidade de vida, mas também potenciando capacidades tendo em vista a sua inclusão e capacitação para uma vida que se pretende o mais autónoma possível e com maior grau de integração na sociedade. As atividades desenvolvidas foram pensadas e planeadas sempre com a intenção da maior eficácia que nos é possível, com vista a alcançar mais sucesso nos resultados obtidos.

Grupo 1 – Atividades de Cidadania: Neste grupo de atividades o grande objetivo foi criar ou facilitar uma ponte entre os utentes e a sociedade, fomentando o desenvolvimento de um conjunto de competências até ao máximo potencial dos utentes, almejando sempre a sua integração na sociedade, a sua autonomia e qualidade de vida. Foram então planeadas atividades de forma a promover a autonomia, cidadania, bem-estar e participação social, entre as quais se podem contabilizar 11 saída externas que potenciaram o desenvolvimento de competências sociais e de mobilidade na comunidade. Este grupo de atividades contribuí-o para o eixo A do impacto social da APEXA.

Grupo 2 – Atividades cognitivas e emocionais: neste grupo desenvolveram-se um conjunto de atividades que promovem o treino e aquisição de competências cognitivas e emocionais. Cálculo, leitura e escrita, linguagem, perceção, memória, atenção, concentração e raciocínio lógico são alguns dos conceitos que nortearam as atividades desenvolvidas. Da mesma forma, temas como identificação das emoções básicas, regulação emocional, autoconceito, autoestima e autoconfiança estiveram presentes. Deu-se prioridade não só ao pensar, mas também ao sentir. Este grupo de atividades contribuí-o para o eixo C do impacto social da APEXA.

Grupo 3 – Atividades sensoriais: este grupo engloba as atividades de estimulação multissensorial, de motricidade global, coordenação motora e desenvolvimento motor. Estas atividades concretizaram-se não só na promoção, ativação e estimulação dos cinco sentidos.  Mas também no desenvolvimento das capacidades de coordenação, equilíbrio, força, e flexibilidade, bem como melhorar a funcionalidade dos utentes nos padrões básicos de movimento humano e melhorar a sua condição física. 

Grupo 4 – Atividades criativas: este grupo de atividades centrou-se na elaboração de trabalhos manuais, onde a criatividade e imaginação imperaram. De facto, através da arte é possível trabalhar diversas competências, como por exemplo o desenvolvimento de competências criativas e artísticas, treino da motricidade fina, concentração e atenção, reconhecimento de formas e texturas, comunicação/expressão não-verbal, etc.

Grupo 5 – Novas tecnologias: este grupo tem como objetivo o treino de competências na utilização de novas tecnologias, muito direcionado para o uso do computador e da internet, onde foram explorados jogos, aplicações e programas do interesse dos utentes, mas onde o postcrossing e o diário digital ganhou extrema importância. Sendo que estas atividades contribuíram para a literacia e capacitação digital.

Grupo 6 – Atendimentos de monitorização: Estes atendimentos referem-se a reuniões com os pais onde houve espaço para falar sobre o plano de desenvolvimento individual traçado para o utente e também para partilhar informações relevantes sobre os mesmos. Esta partilha de informação é bilateral uma vez que se analisa o comportamento do utente tanto em casa como no projeto. Esta atividade contribuí para o eixo D do impacto social da APEXA.

Grupo 7 – Ações de sensibilização: Foram realizadas 3 ações de sensibilização junto das famílias. Estas ações foram ao encontro das necessidades sentidas pelas técnicas, mas também de preocupações verbalizadas pelas famílias, que se traduziram em folhetos informativos para as mesmas. Contribuí-o para o eixo E do impacto social da APEXA.

Grupo 8 – Sensibilização nas empresas: tendo em conta a extrema importância do trabalho que necessita ser feito junto das empresas, no ano de 2021 começou-se por estabelecer o primeiro contacto com algumas empresas do concelho de Lagoa. Assim foi enviada uma lembrança e uma a carta de presentação para as mesmas. Contribuí-o para o eixo G do impacto social da APEXA.

Grupo 9 – Comemoração de dias internacionais: alguns destes dias envolveram a comunidade no sentido que foram atividades realizadas no exterior, como por exemplo no dia da amizade que distribuímos frases simbólicas pelas ruas de Lagoa. Outras comemorações apesar de terem sido realizadas dentro do espaço do Lacus, tiveram impacto ao nível da comunidade uma vez que foram publicadas nas redes sociais. Contribuí-o para o eixo H do impacto social da APEXA.

2.2 – Tabela de Atividades

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
Atividades de CidadaniaNós e a Cidade (4 Horas)Semanal1522907
Atividades cognitivas e emocionaisFaz de conta(1 Hora)Semanal34527
Diário Semanal(2 Horas)Semanal471097
Competências cognitivas, linguagem e comunicação(2 Horas)Semanal60897
Competências pessoais, sociais e emocionais(2 Horas)Semanal62967
Momento Zen(1 Hora)Semanal37297
Atividades sensoriaisCorpo e os sentidos(3 horas)Semanal1311617
HipoterapiaSemanal1011486
Atividades criativasAsas à imaginação(4 horas)Semanal851647
Novas TecnologiasNovas Tecnologias(2 horas)Semanal621577
Atendimentos de monitorizaçãoReuniões com os paisPontual152222
Ações de sensibilizaçãoAlimentação saudávelPontual1115
FériasPontual1115
SonoPontual1115
Sensibilização nas empresasCartaPontual1523
Comemoração de dias internacionaisComemoração de dias especiais com divulgação na internetPontual72122
Comemoração de dias especiais na comunidadePontual257

Próvida

ATIVIDADES

1 – Âmbito

1.1 – O Quê?

O projeto Próvida centrou a sua ação na procura de uma estabilização da rede de suporte familiar e emocional dos seus beneficiários. As suas atividades foram direcionadas para a procura de intervenções diárias mais sólidas e de forma que estas transmitissem mais confiança aos utentes. Para haver uma desejada restruturação das redes sociais e de qualificação – mas acima de tudo do suporte emocional ao nível do agregado familiar – é necessário que se registe um aumento de confiança pessoal nos utentes, e para isso as atividades que têm sido desenvolvidas vão ao encontro deste objetivo. Assim, poderemos ambicionar com base neste trabalho não só uma maior estabilidade emocional, mas também um maior equilíbrio socioeconómico. Sendo atualmente o principal desafio a própria estabilidade social e cultural do país, devido à prolongada e inconstante situação epidemiológica, com sucessivos confinamentos e isolamentos profiláticos, foi um dos objetivos secundários, manter a busca pela normalidade e regularidade das atividades desenvolvidas.

Com tudo isto em mente, procurámos desenvolver atividades que mais tarde venham a resultar na base para um crescimento ao nível da autonomia, capacitação e literacia das pessoas com deficiência. Sempre com a ambição de que estes fatores proporcionem a inclusão plena destas pessoas nas suas comunidades e a sua autonomia ao nível do alfabetismo social e práticas de cidadania. Uma vez trabalhada esta base o foco neste eixo de impacto social são atividades de capacitação, autonomia e inclusão digital e social. 

A inserção de atividades ao ar livre e que integram uma forte componente interativa de experimentação atua como um compromisso, pela promoção de estilos de vida mais saudáveis. Não só ao nível da alimentação, mas também no que toca à sustentabilidade ambiental e económica das comunidades, atuando o projeto por si só como uma nano-comunidade. Estas atividades proporcionam, em conjunto com outras ações no exterior, um trabalho progressivo da melhoria do estado de saúde e das condições de adaptabilidade física a diversos contextos por parte dos beneficiários. 

1.2 – Porquê?

O primordial problema na identificação de necessidades de pessoas com deficiência em idade adulta, é a carência de dados da região, contudo e analisando os dados dos territórios de origem dos beneficiários do projeto, podemos chegar a algumas conclusões sobre as realidades dos concelhos de Silves e Albufeira. Tais como aquelas presentes nos diagnósticos sociais, que se centram na escassez de respostas para adultos com deficiência, sabendo que a nível do algarve apenas 0,2% ingressa o ensino superior e que daqueles que não ingressam apenas 17,82% encontra neste momento uma ocupação ou institucionalização. Contudo apesar destas conclusões presentes nos diagnósticos e estudos sociais dos Municípios e do ODDH, conseguimos entender que dentro do espectro de utentes sinalizados pela APEXA as carências sociais são muito superiores às identificadas. Por motivos diferentes, ambos estes territórios de origem têm fortes carências ao nível da instrução, literacia e capacitação das suas populações, seja pelas carências de investimento privado no território, um progressivo aumento do envelhecimento da população, ou pelo investimento unidirecional no mercado turístico. Olhando apenas para a população que nos chega, e o seu estado a nível socio-emocional, entendemos que todo o contexto sociopolítico destes concelhos levou a que as comunidades e famílias destas pessoas não tenham sido instruídas de forma a reconhecer que uma intervenção precoce e um acompanhamento terapêutico regular pudesse ter de alguma forma evitado a quebra de autonomia e a baixa capacitação social destes beneficiários.

1.3 – Como?

O projeto Próvida procura olhar para o contexto de rede de suporte social e emocional do beneficiário, como tal as atividades foram idealizadas com o propósito de gerar autoconfiança no utente promovendo o seu bem-estar social e a melhoria do seu estado de saúde com vista ao futuro trabalho pela inclusão na comunidade. No decorrer do ano de 2021 foi dada particular importância às atividades sociais e desenvolvimento cognitivo. Sentimos essa carência porque percebemos que os beneficiários sofreram de diferentes formas de negligência e alienação o que de certa forma causou um atraso no desenvolvimento e capacitação do indivíduos. Assim, foi feita uma forte aposta em atividades que potencializam o aumento da socialização e desenvolvimento cognitivo, pois cremos que esse é o ponto de partida para a autonomia ou independência do individuo. 

 2 – Stakeholders

2.1 – Quem são?

O projeto Próvida, resulta essencialmente da interação entre os seus stakeholders o que determina o sucesso do projeto e também da APEXA onde se insere. Consideramos que é essencial identificar e envolver todas as partes interessadas, havendo um cuidado para que todos sejam beneficiados e tentando retirar sempre o melhor que cada um pode oferecer, de forma a contribuir para o sucesso do projeto.

Grupos de Stakeholders

Pessoas com deficiência – Utentes com um ou vários diagnósticos, que residem um pouco por todo o concelho de Albufeira e na região sul do Concelho de Silves. A grande maioria das deslocações diárias está dependente da instituição, sendo que a sua condição revela níveis moderadamente altos de exclusão social. Ao nível das patologias, trata-se de um grupo heterogéneo com diagnósticos de défice cognitivo e falta de mobilidade a vários níveis.

Familiares/Tutores – Essencialmente famílias nucleares, com algumas situações de tutoria e viuvez, todos residem em habitação autónoma. Ao nível da ocupação destas famílias regista-se uma taxa de emprego/ocupação muito baixa, condicionada pela sazonalidade que continua a ser um elemento presente na autonomia socioeconómica destas famílias.

Equipa Técnica – Equipa composta por técnicos de Animação Sociocultural e Educação, com funções de planeamento, coordenação geral e execução de atividades. Por técnicos de psicologia e terapeutas complementares à execução das atividades. 

Principal Parceiro – A Câmara Municipal de Albufeira tem investido neste projeto no sentido de promover atividades de autonomia social e cidadania em munícipes com deficiência, neste momento é uma parceria que garante que a comparticipação familiar se situa em valores muito baixos, garantido que a intervenção não é comprometida pela baixa condição económica.

Parceiros Institucionais – A lógica de interação com parceiros institucionais do projeto centra-se na transmissão de conhecimentos e apresentação de serviços. Produção de ações de sensibilização e de informação no sentido de capitalizar os recursos e o humanismo das comunidades em que o projeto se insere.

Parceiros Sociais (Patrocinadores) – Os parceiros sociais intervêm diretamente ou indiretamente na sustentabilidade financeira do projeto através da oferta de serviços ou de donativos pontuais ou regulares ao abrigo da lei do mecenato social. O papel deste núcleo é fundamental para a sustentabilidade financeira do projeto, mas também para a sustentabilidade operacional das atividades. 

2.3 – Identificação de Grupos e Segmentos de Stakeholders

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupos de Stakeholders SegmentosCaracterização Relação com o Projeto 
BeneficiáriosPessoas com deficiência Adultos com deficiência de diferentes diagnósticos, e com idades compreendidas entre os 19 e os 50 anos. Beneficiários diretos do projeto com participação semanal nas atividades do projeto, com frequência diária de segunda-feira à sexta-feira entre as 9h30 e as 16h30. 
 Familiares e Tutores Adultos, familiares diretos dos utentes do projeto com média de idades de 48,9 anos e formação geral inferior ao 12º ano.Beneficiários indiretos do projeto, onde é mantida uma relação de transmissão de informações no que toca à evolução e comportamento diário dos utentes.
Equipa TécnicaTécnicos1 Dinamizadora (Coordenação)1 Técnica de Educação1 Psicólogo Clínico1 Terapeuta da Fala1 Terapeuta OcupacionalPlaneamento, execução e registo das atividades de intervenção direta do projeto com os Beneficiários Diretos. Comunicação, interação e partilha de informação com os beneficiários indiretos.
 Equipa de Suporte1 Motorista1 Auxiliar de Ação Educativa1 Auxiliar de Limpeza/TransporteSuporte operacional às atividades, manutenção do espaço e transporte de utentes.
Principal ParceiroComunidadeCâmara Municipal de AlbufeiraPrincipal parceiro do projeto, garante a sustentabilidade financeira e operacional do projeto, suportando 78% do custo de manutenção do projeto.
Parceiros institucionais Comunidade G.N.R. – Guarda Nacional Republicana; Moto-grupo da Guia; Fidelidade Seguros; Cineplace Algarve Shopping; Parcerias com ações de sensibilização (G.N.R. – Programa Escola Segura) e ações de divulgação (Fidelidade Comunidade) e interação com a comunidade local (Visita dos Pais-Natal Motards e Ida ao Cinema)
Parceiros Sociais Comunidade Zoomarine; Concessões de Praias dos Salgados, Alemães e Santa Eulália; Junta de Freguesia da Guia; União de Freguesias de Tunes-Algoz; Publirádio; Clínica Dentrata.Donativo de serviços para usufruto dos utentes em momentos lúdico-pedagógicos (Zoo e Praia), Donativo anual de mecenato social para manutenção dos espaços interiores e exteriores do projeto. Subsídio de transporte ou de apadrinhamento de utentes.

2.4 – Beneficiários Diretos e Indiretos

Diretos

Os beneficiários diretos do projeto são pessoas com deficiência em idade adulta, ao nível patológico os diagnósticos são muito diversificados e heterogéneos. Multideficiência (10%) e Perturbação do Espectro do Autismo (10%) são números mais residuais. Contudo existe uma maior incidência de Deficiência Intelectual (20%) e Défice Cognitivo (20%), contudo o diagnóstico predominante é Trissomia 21 (40%). Existem no grupo algumas limitações a nível sensorial e motor, contudo as principais dificuldades centram-se no domínio cognitivo. A média de idades do grupo é bastante alta (37,2 anos) e a baixa qualificação dos tutores e familiares, são dois dos fatores que podem ajudar a justificar a fraca autonomia social do grupo 

Indiretos

Os principais beneficiários indiretos (38) do projeto são as famílias dos utentes, caracterizam-se por serem na sua maioria nucleares (46%), contudo também 38% das famílias são monoparentais. Uma pequena parte (15%) das famílias são reconstituídas/adotivas. A baixa qualificação é predominante uma vez que apenas 8% dos agregados familiares possui um dos progenitores com licenciatura, segundo a experiência adquirida este facto deve-se à baixa densidade populacional do território, sendo que apenas 31% das famílias vivem em aglomerados urbanos de média-alta densidade. Sendo que a sazonalidade e a baixa exigência de qualificação de mão-de-obra poderão ser também fatores que expliquem este fenómeno.

3 – Realizações

2.1 – Grupos de Atividades

Trata-se de atividades com orientação para que no futuro resultem em crescimento ao nível da autonomia, capacitação e literacia das pessoas com deficiência. Com foco em fatores proporcionem a inclusão plena destas pessoas e a sua autonomia ao nível do alfabetismo social e práticas de cidadania. A existência de atividades ao ar livre e que integram uma forte componente interativa de experimentação atua como um compromisso, pela promoção de estilos de vida mais saudáveis.

Grupo 1 – Interação Social e Comunitária – Neste grupo de atividades procurámos desenvolver a autonomia, a socialização e a interação, trabalhando em grupo estes domínios recorrendo à componente prática, mas sempre com o objetivo de enriquecer os conhecimentos e a experiência de vida do indivíduo. Estas são reforçadas nas pausas letivas aproveitando a maior disponibilidade de transporte, para assim promover deslocações mais frequentes e um aumento do trabalho dos domínios de socialização interação.

Grupo 2– Desenvolvimento cognitivo e comportamental – Atividades desenhadas para promover os domínios comportamentais do individuo, tais como a criatividade, o raciocínio lógico ou o pensamento abstrato, mas acima de tudo com o principal propósito de ganhar consciência de si próprio. Procurámos melhorar os comportamentos menos bons e aumentar os comportamentos positivos. Estimular a criatividade através de atividades ligadas às artes, não só plásticas, mas também performativas, para que assim também possam tomar perceção sobre o seu corpo.

2.2 – Tabela de Atividades

Tabela na sequência desta abaixo, inserir quantas linhas necessárias

Grupo da AtividadeNome da AtividadeFrequênciaNº de AtividadesNº de Horas RealizadasNº de Beneficiários diretos
Desenvolvimento cognitivo e comportamentalInclusão na comunidadeSemanal275410
 Caminhadas e TrekkingSemanal426310
 Promoção de AutonomiaSemanal489610
 Oficinas Didáticas PróvidaSemanal489610
 Desenvolvimento social, emocional e pessoalSemanal159277.510
Interação Social e ComunitáriaGincanas SensoriaisSemanal336610
 Artes plásticas e performativasSemanal6913810
 Exercícios Didáticos e TecnológicosSemanal426310
 Terapia em grupoSemanal183610
 Nutrição, saúde e bem-estarSemanal367210