Espaços e medidas inclusivas: Uma aposta de futuro

Por Nicole Palma em

Todos os dias verificamos que os espaços de lazer e da comunidade, na sua maioria, são inadequados e apresentam barreiras que impossibilitam a utilização por parte das crianças com necessidades especiais. Estas crianças ficam, muitas vezes, limitadas a observar outras crianças a brincar e impedidas de frequentar determinados locais porque não se encontram adaptados às suas necessidades.

Mas esta realidade está a mudar. Existe uma preocupação crescente em construir e implementar medidas e espaços destinados a estas crianças. Apesar de Portugal, já ter consciência deste problema, ainda necessita de investir muito nesta área. A criação de espaços na comunidade inclusivos contribui decisivamente para a participação da criança em atividades de lazer e relação com a comunidade. Deste modo, pretende-se que o espaço seja capaz de fornecer à criança o sentimento de segurança, competência, autonomia e liberdade que necessita.

Partilho algumas das medidas e espaços que têm sido implementados pelo mundo e em Portugal, para promover o envolvimento e participação da criança em atividades de lazer e da comunidade:

  • Parques infantis inclusivos

A maioria dos parques infantis apresentam barreiras para que o brincar ocorra naturalmente para as crianças com necessidades especiais. No entanto, para combater esta realidade, em Portugal já existem parques infantis com alguns equipamentos adaptados, como o Parque da cidade do Barreiro e o parque La Salette, em Oliveira de Azeméis.

  • Sala sensorial na escola

As crianças com necessidades especiais, por vezes, apresentam comportamentos desajustados e não conseguem permanecer focados nas tarefas escolares por muito tempo e, por isso, surgiu a sala sensorial, um espaço projetado para ajudar a criança com alterações sensoriais e comportamentais a fornecer respostas adequadas às várias situações. Nos intervalos, as crianças com necessidades especiais vão para a sala sensorial para acalmar seus corpos e regular as suas emoções, para que estejam prontos para regressar à sala de aula e estejam desta forma mais disponíveis para aprender. Uma das escolas que já implementou este sistema é a Escola de Meriden, nos Estados Unidos da América.

  • Sessões de cinema inclusivas

As crianças com Perturbação do Espetro do Autismo, por vezes não podem assistir às sessões de cinema porque existem estímulos muito agressivos (luzes intensas, som muito alto). Para possibilitar a participação nestas sessões o ambiente foi adaptado para permitir uma experiência mais agradável. Esta experiência, já teve lugar nos cinemas NOS Colombo e NOS NorteShopping, de forma pontual.  

  • Parques aquáticos para crianças com necessidades especiais

Muitas crianças não podem ir aos parques aquáticos tradicionais, porque estes não estão adaptados às suas necessidades. Nos parques adaptados, é possível que as crianças com mobilidade reduzida possam usufruir de piscinas e experiências com água e repuxos. Em Portugal, existe um destes parques, o Parque aquático do Kastelo.

  • Salas sensoriais no aeroporto

O aeroporto é um espaço com muita agitação, barulho e afluência de pessoas tornando-se num local perturbador para crianças com Perturbação do Espetro do Autismo ou outras patologias e para as suas famílias. Contudo, existem alguns aeroportos que possuem uma sala sensorial, um local seguro e relaxante com iluminação fraca e almofadas confortáveis, enquanto aguardam pelo voo. É o caso do aeroporto de Shannon, na Irlanda.

De uma forma geral, vão existindo alguns destes equipamentos em Portugal, contudo existem outros equipamentos e experiências que podemos importar para o nosso país e reforçar os que já existem. É essencial que os nossos governantes e autarquias tenham a capacidade de reconhecer a importância destes espaços para fomentar a qualidade de vida e inclusão destas crianças.