Como sei se o meu filho é vítima de Bullying?

Por Ana Revés em

A semana passada abordamos o tema do ciberbullying. E por isso, seguindo o tema, esta semana vamos esclarecer o que é o Bullying e como poderá saber se o seu filho é ou já foi vítima deste tipo de violência.

Bullying é uma forma de agressão que se caracteriza pela existência de um padrão de ações violentas de um agressor sobre uma vítima, que acontecem de forma frequente e com intencionalidade. Nesta relação, o agressor faz uso do seu poder de modo a intimidar a vítima.

O bullying tem várias características próprias, como a repetição do comportamento abusivo, um claro desequilíbrio entre o agressor e a vítima, e uma intenção do agressor em prejudicar a sua vítima. É algo dirigido, e não aleatório. É continuado no tempo e tem uma vítima sem a mesma capacidade de resposta que o agressor, que exerce o seu poder sobre ela.

É importante referir que os desentendimentos entre crianças são conflitos normais que fazem parte do seu desenvolvimento, sendo que por norma resolvem-se rapidamente. O bullying não faz parte do desenvolvimento normal das crianças, pois é uma forma grave, intencional e continuada da agressão que pode acontecer quando o seu filho está dentro e fora da escola (no caminho escola-casa, nos meios de transporte, nos intervalos, na sala de aula, entre outros locais).

Ser vítima pode deixar marcas na vida de uma criança! Pode levar ao desenvolvimento de medos, sentimentos de inferioridade, baixa autoestima e ansiedade. Em casos mais graves pode até levar a autoagressões ou até mesmo ao suicídio.

            Que comportamentos caraterizam o Bullying?

– Agressão física (por ex.: empurrar, bater, destruir bens da vítima, assaltar, etc.)

– Agressão verbal (por ex.: gozar, chamar nomes, espalhar rumores sobre a vítima, etc.)

– Exclusão social (por ex.: impedir a participação da vítima em atividades de grupo, ignorá-la, etc.)

– Intimidação emocional (por ex.: fazer ameaças à vítima que comprometem o seu bem-estar e/ou o da sua família, etc.)

O bullying afeta milhares de crianças e jovens. No entanto, nem sempre os pais e professores se apercebem das situações de bullying e do impacto que elas podem ter na vida dos seus educandos. Desta forma, é importante estar atento aos comportamentos do seu filho, pois pode estar a ser vítima de bullying e não dizer.

Assim sendo, esteja atento(a) a alterações de humor, a uma maior dificuldade na atenção/concentração, medos, pesadelos e dificuldades em dormir, diminuição da autoestima, recusa em ir para a escola (constantes dores de cabeça, de barriga, etc…), roupa e material perdido ou estragado, existência de nódoas negras e hematomas.

Como pai/mãe, poderá seguir algumas dicas sobre o que podem e devem fazer com os vossos filhos para evitar que alguma informação lhe passe despercebida:

  • Converse abertamente com o seu filho sobre o bullying e incentive-o a contar os problemas sem julgamentos ou críticas;
  • Conheça os amigos do seu filho e saiba o que estão a fazer, onde e com quem estão;
  • Esteja atento(a) aos sinais psicológicos e emocionais;
  • Pergunte diretamente ao seu filho se alguma vez sofreu algum tipo de agressões na escola;
  • Leve a sério o que a criança lhe disser;
  • Evite que o seu filho tenha acesso a programas e jogos que apelem à violência;
  • Converse com os professores, diretores de turma e conheça a situação escolar do seu filho (rendimento escolar, amizades, comportamento…);
  • Promova atividades do interesse da criança e fomente a cooperação, solidariedade e partilha;
  • Ensine-lhe regras sociais e promova a resolução de conflitos sem violência ou agressão.

Lembre-se que não podemos mudar o mundo, nem resolver todos os problemas, mas podemos e devemos manter um papel ativo. Saber e nada fazer é uma forma muito errada de ajudar. Mudar o seu filho de escola também não é uma solução! Existem caraterísticas que (sem serem trabalhadas) se irão manter na criança mesmo que mude de escola.

Tenha presente que, maltratar o agressor não resolve a situação e, na maior parte das vezes, apenas serve para fomentar ainda mais a violência ou para que o agressor desenvolva estratégias ainda mais elaboradas.


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